Esperamos uma noite sombria
Esperamos uma noite sombria
esperamos o silvo e o clarão do raio apocalíptico
enfeitado com a estrela de Davi
esperamos a estrela de Davi
não destrua o último cedro
emblema nossa bandeira
enraizada em nosso coração
não basta que o rei Salomão tenha
feito "para si um palanquim de madeira do Líbano"
vigiaremos insones
e não sucumbiremos
nosso rio Magoras já conteve gregos e romanos
e continua vivo
nele ainda banham-se ninfas e magníficas donzelas
nossa Paris do Oriente deslumbrante
os bárbaros que amam o discurso do míssil
refestelam-se com nossos kibes kaftas e tabules
consomem nossas milenares tâmaras
embriagam-se com nossos divinos vinhos
escória que são
regurgitados serão
até consumirem-se ao aniquilamento
os bárbaros hão de passar
já me despedi de parentes e amigos
já me despedi desse teto
que me abriga
generosamente protege
testemunha de amores
com os quais vivi dias paradisíacos
e convivi o milagre do pertencimento
esperamos uma noite sombria
e o amanhã virá radiante
nossa Beirute ressurgirá
brilhante e luminosa
farol do Mediterrâneo.
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