não saio do lugar me chama de cérbero desiste
de mim volto ao tema volto ao lema à lama me
fala rema não remo afundo no estige imundo
vem caronte me salvar não tenho dinheiro
moeda para pagar a travessia caronte me dá
uma pazada na fronte meu cérebro não me
socorre é escuro demais muito obscuro não
conheço um furo por onde poderia acapar como
o universo escapa num ponto convergente ao
sair do caos gera outro caos sou divergente
corro em linha reta como uma seta ao alvo não
acerto na mosca tropeço no asfalto é um
assalto levam-me a velha carteira só tem papéis
velhos identidade poída cpf cancelado título de
eleitor desatualizado de cidadão desprezado
cadê meu cérebro que não uso mais? meu cão
de estimação cérbero? na verdade nunca o usei
sempre tive uma doença chamada preguiça
não raciocinava não interpretava só culpava
meu cérebro quando a culpa era só minha não
tinha nada que transferir meus fracassos
minhas derrotas meus medos covardias quem
mandou-me nascer homem poderia ter nascido
um bicho qualquer um cisco um lixo uma
mosca um mosquito qualquer outra coisa
menos homem mau para não fazer mal a ninguém
BH, 020202026; Publicado: BH, 040202026
Nenhum comentário:
Postar um comentário