terça-feira, 27 de setembro de 2016

Na janela um violão toca um blues; BH, 0110902016.

Na janela um violão toca um blues, 
Num corpo envolto numa toalha; a 
Moça distraída observa, a lua espera
Para cantar, a boca já entreaberta na
Boca da noite a prantear; é a saudade
Que mata o peito, é a vontade de 
Voltar, de ir embora e parar de chorar;
Acalanta essa criança perdida, órfã
De pai e mãe, sem seio para morar,
Coração para aprisionar, mão para 
Segurar; a alegria flui sem elegância,
Destar que um dia clareia a sombra,
A porta abre no chão e sobe ao céu
Uma raiz, desce uma semente à terra,
Gemina um santuário, soluça uma 
Canção, suspira um desejo, almeja 
Um embrião e de grão em grão, 
Forma-se um sólido soma, esperança 
De um destino, um sonho de menino 
E ninguém se calará sobre o corpo 
De ninguém, ou consentirá a morte
Vã; não faltarão motivos, tijolo por
Tijolo no alicerce da construção e 
Pedra sobre pedra da montanha, 
Subirão para outras montanhas,
Que nascerão das montanhas.

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