sexta-feira, 27 de março de 2026

RAY CHARLES:



 

não sei o que escrevo

não sei o que escrevo
se alguém souber o que escrevo
diz para mim o que escrevo
ou ninguém sabe o que escrevo?
como as outras coisas
esta é uma das coisas
que não sei
como sócrates também
que não sabia de nada
mas para que saber dalguma coisa
num mundo onde ninguém sabe nada?
não me canso de perguntar porém
continuo a perguntar obstinadamente
se as respostas não vêm é justamente
porque como sou é que todo mundo é
um ser ignorante a ignorar
a própria ignorância
um ser estúpido que não sabe
da própria estupidez
um ser insensato que esconde
a própria insensatez
o bom seria se todo mundo quisesse
saber dalguma coisa
não coisas pessoais de pessoas impessoais
porém coisas das quais
não sei como todo mundo não sabe
se há alguém que sabe é obviamente
o que se alimenta só de sabedoria
não se sacia nem com soda
nem com coca-cola mas
com água da fonte dos pricípios
quais princípios?
os princípios inventados pelo próprio homem
que não tem princípio que
talvez seja a única coisa certa que sei
é que o homem não tem princípio
pode até escrever sobre princípios
causas efeitos éticas teses teorias livros
laudas artigos parágrafos parênteses
mas não sabe sobre o que escreve
joga no escuro
às vezes pode até dar certo
num mundo errado
onde ninguém age correto
aí a vergonha que passa será menor
se dividida entre os semelhantes

BH, 0110202026; Publicado: BH, 0270302026

sexta-feira, 20 de março de 2026

nunca havia ouvido falar nesse pobre diabo

nunca havia ouvido falar nesse pobre diabo
septuagenário edson gomes quando o pig o
partido da imprensa golpista o globo fez
uma longa matéria sobre suas falas bizarras
seus pensamentos medonhos suas
expressões macabras suas palavras bisonhas
suas letras medievais suas inspirações
feudais depois que li entendi porque o pig
agiu assim com tanto espaço ao cabra safado
se meteu o malho no bolsa família escrachou
o comunismo como se fosse vítima escrachou
o dia da consciência negra detonou as cotas
raciais apaziguou o racismo fascista acabou
com o sindicalismo que prega o trabalhismo
não separou os pelegos dos proletários com
isso tem palanques em quaisquer folhas do
pig da imprensa marrom não só no globo que
sempre apoiou a ditadura as torturas os
assassinatos dos presos políticos os sequestros
o militarismo o golpismo senti nojo desse
demônio septuagenário edson gomes que um
dia se acomode no seu lugar no ostracismo
fascista esquecido pela história como um pária

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

tenho que aprender a aproveitar a vida

tenho que aprender a aproveitar a vida
pois aproveitar a vida para mim é isso
aqui uma mesa rústica uma cadeira
velha uma folha de qualquer papel
uma caneta esferográfica na mão uma
cabeça que seja a minha cheia de
inspiração se a cabeça não for a minha
pode ser uma cabeça alheia numa
psicografia numa ação doutro mundo
da solidão dos solitários que não
aprenderam a aproveitar a vida teimo
nesta repetição morro não entro em
aceleração só em decomposição em
putrefação a vida segue não sigo não
fico enterrado o pescoço no garrote
vil na corda que atravessa o abismo no
raio da circunferência sou todas as
linhas fora dos conceitos trago vendas
nos olhos cegos os corvos estão
famintos sedentos meus olhos são
secos olhos de assassinos fominhas
famélicos do mundo ou dos que a vida
negou um pedaço de pão não deixou
aproveitar da água das lágrimas
de quem chora um ribeirão

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

quando aparece algum escroto a falar mal

quando aparece algum escroto a falar mal
dalguma conquista social contra o capital
do mundo capitalista tem logo microfone
livre no jornal se detonou o bolsa família
riremos se escrachou o sindicalismo viu
comunismo em tudo achemos graça
batamos palmas se amenizou o racismo
então criticou as cotas raciais as lutas de
classe gargalhemos é o nosso cara o
incentivemos a falar mais a impedir a
politização do povo pobre a fazer
aristóteles a se revolver no túmulo da
história que bastardo inglório esse pobre
diabo preto esse demônio negro
septuagenário edson gomes teve os quinze
minutos de fama de pelego fascista
reacionário racista até o dia da consciência
negra oi cara vomitou na cara da gente seu
fedor de apodrecimento interno seu
manquejo de aleijado por dentro pelos 
bons serviços prestados à burguesia às
elites bom capacho da plutocracia da
cleptocracia da oligarquia deve ter
lambido muito as bolas do toninho
malvadeza vulgo antônio carlos magalhães

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

escreves umas linhas bem curtinhas aí

escreves uma linhas bem curtinhas aí
bem pequenininhas que as lerei
enquanto escreveres essas linhas
dessas laudas infinitas tais as
paralelas não me terás como leitor
nem ledor nas passarelas o que farei?
se bem mais curta é a vida bem
pequenina ainda fazemos questões
de diminui-la ao mais baixo nível
não tenho preguiça de escrever
porém parece que tens preguiça de
ler não me deixarei levar por tuas
hostis palavras se não quiseres ser
ledor nem leitor das minhas palavras
paciência ciência inteligência tento
só livrar a vida da decadência
empolgar a civilização livrar a
humanidade da religião a pregar uma
vida em paz com o ser humano a
aprender a compartilhar o mundo
sem si doer pois qualquer vida em
comunhão compartilhada mutuamente
coletivamente machuca mais fere mais
do que uma facada uma navalhada ou
dum soco que nos arranca os dentes

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

se o cara diz não sou de esquerda

se o cara diz não sou de esquerda
nem de direita é batata é de
extrema-direita se diz não sou
crente nem católico é fascista não
tem erro se ainda fala tenho
amigos pretos conheço negros é
racista se vangloria ser de deus
pátria família é nazista não há
como se enganar podeis tirar
vossas dúvidas tirar vossas
próprias conclusões se o cara
pediu invasão imperialista no seu
país é vira-lata entreguista bate
continência para a bandeira
yankee inconsciente não percebe
a própria doença mental se
defendeu patrão o fim das leis
dos direitos trabalhistas é pobre
a se pensar capitalista defendeu
estupro pedofilia ameniza
violência contra a mulher
machista machão macho alfa
porém é só um escroto que
encontra respaldo nas mídias do
pig partido da imprensa golpista
combate a luta de classe classifica
o que vem à sua cabeça de
comunismo quer menos educação
mais religião menos universidade
mais bíblia academia fitness
menos biblioteca quer mais
igrejas menos cinemas mais
censura menos cultura ouvidos
moucos para o que dizem os
caras dessa gente

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

quanto mais distante dos componentes entes

quanto mais distante dos componentes entes
extravagantes da extrema-direita fascista
melhor para a saúde mental quaisquer
contatos corporais comportamentais com
essa gente é um risco iminente de
contaminação de ficar doente do ser da
alma da mente aí o melhor é o isolamento
total a turma de deus pátria família é o que
demais nocivo já saiu do esgoto da história
da retrete do passado do inferno não há como
relacionar fazer amizade desfrutar de
companhia é uma turma omissa apolítica
analfabeta política despolitizada fisiológica
nem vale a pena gozar com almas tão
pequenas vivem nos chiqueiros nos currais da
extrema-direita donde não se aproveita nada
nem atos nem palavras nem ideias não têm
ideais só fisiologismos misoginismos
armamentismos machismos militarismos
capitalismo imperialismo dá até nojo ânsia de
vômito então para o bem do meu coração
mantenho distância como na frase de
para-choque de caminhão a única mão que
estendo é a minha mão de pilão para dar pisão

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

onde está a extrema-direita não estou

onde está a extrema-direita não estou
mantenho minha saúde mental sana
mantenho-me livre preso aos livros à
escrita à cultura longe do pig sigla
do partido da imprensa golpista meu
lema é delenda essa porra de rede
0globo carajo suas afiliadas
concorrentes tudo que causa dano à
minha saúde mental quero manter-me
sadio não sádico quero manter-me
ativista não masoquista defendo que
o mundo defenda cuba das garras
imperialistas neoliberais capitalistas
sou pelo fim imediato do bloqueio
econômico a cuba as nações lúcidas
da civilização mundial precisam dar
um basta à covardia à violência que
os capitalistas cometem contra a ilha
sagrada nunca mais surgirá um fidel
fiel igual ao casto castro ou um
soldado universal combatente igual
ao honesto ernesto che guevara então
as nações do mundo civil devem
decretar duma vez por todas o fim do
maldito bloqueio ninguém é dono do
mundo o mundo é para ser
compartilhado por todos aqueles que
vivem no mundo que a águia do ninho
do mal tire as garras de cima de cuba

BH, 0200302026; Publicado: BH, 0200302026

vou-me embora o mundo acabou

vou-me embora o mundo acabou
o mundo é o lugar mais imundo do mundo
não dá mais par limpar
vou-me embora par outro lugar
largar o mundo que não quer se limpar
só quer sujeiras podridões putrefações
o mundo é de fato putrefato
um fardo difícil de carregar
não dá mais para continuar a viver aqui no mundo
é que não sou escroto
não sou fisiológico
quero rebeldia quero socialismo quero comunismo
não quero capitalismo pois capitalismo é o inferno in natura
capitalismo é nazism fascismo racismo
exploração dominação anexação omissão
capitalismo é a falsa propaganda da felicidade
é o aumento da miséria da desgraça da pobreza
ninguém divide nada com ninguém
nem pão nem água
só medo covardia violência balas perdidas
vou-me embora ainda nem sei para onde
não posso ir para o lugar donde vim
seria uma maravilha se pudesse porém
se não for hoje será um dia mais cedo ou mais tarde
o certo é que irei
por enquanto crio um ninho
onde virarei um urubu-rei
esperarei até quando não sei

BH, 0200302026; BH, Publicado: 0230302026

terça-feira, 17 de março de 2026

não reconheço a minha poesia não é de empolgar

não reconheço a minha poesia não é de empolgar
não é do tipo de arnaldo antunes pop concreta
não é concisa nem chic já disse que é de pau a
pique de sebe taipa não levanta poeira das
estradas nem pó das prateleiras nem é
transparente como a cristaleira é uma poesia
antiga ultrapassada que não será lida em
nenhuma academia nem no municipal não
participará de sarau pois tímida envergonhada
tem medo de ser ousada audaciosa é uma poesia
ociosa tem preguiça de tudo omite o que deveria
ser dito quando bebe uma ou outras é que
procura si sobressair mas aí está trôpega bêbada
embriagada fala aos borbotões grita gesticula
grunhe uiva já ninguém a escuta ninguém a dá
ouvidos nem moucos às bêbadas fica louca então
a pensar que está lúcida espera elogios mas quem
elogiou a loucura foi erasmo não está mais entre
nós só a obra pode agora morrer sem elogios
esquecida num sanatório tal bispo do rosário
sem resgate recuperação sou o que queria fazer
dessa poesia uma poesia zen nobre uma obra de
arte uma obra-prima a representação do que é
clássico erudito também vou morrer em vão
longe da companhia dessa poesia não ficará aí
para me defender bem como não a defendi o
que quero? o que não quer o meu coração cada
um vai para o seu lado todos os caminhos levam
ao mesmo lugar só sou o que não sei onde quero
chegar ando em círculos avanço regrido ando
para trás as mãos vazias i peito a arfar a cabeça
pendente ninguém aparece para me dizer se a
minha poesia é de gente indigente já sei que é
gostaria de ouvir o outro lado as opiniões lúcida ou
opaca obtusa clarificada? daí depende minha salvação

LN, 050502008; Publicado: BH, 0170302026

são as ideias que nos deixam em alerta máximo

são as nossas ideias que nos deixam em alerta máximo
a toda hora a procurar a aperfeiçoar as ideias são as
ideias que nos iluminam nos deixam clarificados com
noções de que pensamos de que existimos na realidade
são a nossa virilidade o fim da nossa melancolia são o
que nos dão as noções de vida de tempo de espaço de
morte sem as ideias não construímos não criamos nem
colocamos em evidências não apresentamos sentenças
referências nem credenciais as ideias não podem se
abruptas superficiais tímidas devem ser ideias arrojadas
ousadas audaciosas que apresentem teores de fé ou do
contrário não sairão do limbo virarão fantasmas
ectoplasmas simulacros de ideias serão natimortas a
pior coisa é carregarmos cadáveres dentro da gente a
pior coisa é estarmos cheios de mortos como se
fôssemos um cemitério ou cheios de ossos como se
fôssemos um ossuário um obituário abandonado ideias
são para ser colocadas em prática para que nos ajude a
vencer nossas limitações fraquezas complexos defeitos
imperfeições tem que ser rápido pois o tempo urge
num piscar de olhos já estaremos a andar com três
pernas aí não teremos mais tempo de evidenciarmos
as nossas ideias só o tempo de virar poeira de virar pó
espalhados pelas pradarias lodo musgo faia seres que
vivem agarrados às pedras às rochas não permitir que
as ideias se transformem em rochedos é a meta de
quem expele em ideias o ideal é saber aproveitá-las
no dia seguinte falar agora sim estou bem melhor
coloquei as ideias em prática fiz o que tinha para
fazer arrisquei o resultado deu certo foi benefício
para mim estou a me sentir outro um morto que
fugiu do caixão saiu para a vida um cadáver que 
ouviu o grito levantou do sepulcro abandonou a
catacumba ganhou o universo a deixar para atrás
todos que ficaram lá acorrentados nos sus ataúdes
como vampiros que dormem nos féretros durante o
dia despertam durante a noite só que não despertam
nunca assim são também os desprovidos de ideias
os vazios de ideais vagos de intelectos frágeis de
princípios são as ideias que respaldam o homem
são os ideais o engrandecem o empoderam são os
atos que o tornam imortal

NL, 030502008; Publicado: BH, 0170302026

hoje não sai nada de dentro da minha cabeça

hoje não sai nada de dentro da minha cabeça
estou sem matéria-prima cerebral literal
linear quando vinha para cá vi um vale
passei à margem  pensei que se passasse por
aqui mil vezes durante jamais passaria com
os olhos fechados ou a dormir passaria
sempre bem desperto com olhos bem abertos
pois esse vale  vale mais do que cem olhos
sou o que devo esta obrigação ao vale não o
vale a mim esse vale vale uma eternidade
lembrei-me agora apesar de ainda estar por
baixo por fora completamente com a cabeça
sem nada por dentro não estou a sentir
discernimento nem estou a sentir lucidez não
é metáfora não é figurado é literal mesmo
falta-me conteúdo a causa do que deixou-me
assim meio com amnésia infrutífero sem
verve sem cerne praticamente sem recheio
também não falei que hoje está difícil até
agora só apareceram estas parcas linhas
diante de mim não perdi a tentação o desejo
de querer registrar um momento mas nesse
momento não consegui registrar nada que
valha um registro as pessoas passam a correr
os carros a voar só os pássaros são os que
sumiram da paisagem são raros até as
borboletas também estão escassas é por isso
que a poesia demora a fluir o poema a luzir
o ser que vive disso igual vivo sente falta
parece até que vai morrer quando não
frutifica um soneto no pomar da literatura
a poesia para mim é mais do que uma religião
é o sangue das minhas veias o tecido que cobre
minha pele minhas carnes é o pensamento que
falta-me às vezes é o meu comportamento que
que choca as pessoas é o silêncio que faz um
barulhão danado ao meu ouvido o motoqueiro
que passa a equilibrar em pé em cima da moto
de motocross é a mulher que passa a rebolar
um bundão indomável aqui na rua quase a
causar um acidente ou quase a ser atropelada
pelos automóveis hoje realmente não sai nada
de dentro de minha cabeça a não ser esta borra
neste papel quem quiser que chame de poesia

NL, 030502008; Publicado: BH, 0170302026

limitado cheguei ao limite não o ultrapassei ultrapassado

limitado cheguei ao limite não o ultrapassei ultrapassado
continuei limitado a limitar tudo que me diz respeito a
mim ao meu intuito só não sou limitado é na ignorância
na estupidez na falta de discernimento nas outras coisas
que causam espantos a intolerância a imprudência
destruo as barreiras do limite rompo os fins do universo
sem tentar concentrar usar da consciência da lucidez não
tenho atividades nenhumas que me satisfaçam tenho uma
sede ilimitada por álcool que por poucos minutos antes
de desfalecer me deixa uma sensação de prazer depois é
só uma queda livre no vácuo sem resistência sem atrito
caio como peso morto a quebrar a barreira do som sem
causar estrondo limitado meu peso me limita meu fardo
está transbordado cheio de tudo que me prende nesse
limite intransponível invisível numa hora é um muro
noutra hora é um murro é uma pedra depois uma corda
a enforcar-me nos percalços vêm uns após doutros um
abismo um precipício uma montanha maior do que a de
maomé uma fé menor do que o átomo então quebrar o
limite assim não faço questão de quebrar inescrupulosos
iconoclastas sois os ídolos das mídias tendes os pés de
barro mantendes contundidos com os joelhos estourados
tornozelos rompidos tendões de aquiles dos calcanhares
levastes um chute nos colhões ficastes de quatro diante
dos tolos só comigo não causaríeis tantas repercussões
não me correria tantos perigos convosco que dor é esta
no meu coração? é melhor ficar preparado para o que
der o que vier no dia em que meu coração doeu assim a
menina se suicidou rompeu o limite o pescoço num fio
de telefone pendurada na varanda da casa do lado de fora
aqui o ignorante tomava um porre num bar com amigos
inimigos no único limite que ainda sei quebrar os outros
nasceram comigo saramago meu saramago sonhei contigo
ontem à noite sonhei que te dava um aperto de mão um
abraço apertado que fui até entrevistado quando a imprensa
percebeu que quebrava o limite de mim ao ir em tua direção

NL, 050502008; Publicado: BH, 0170302026

quarta-feira, 11 de março de 2026

quero ficar em casa contigo à janela

quero ficar em casa contigo à janela
a ver o tempo correr no pátio vejo a
chuva a cair deito ao teu lado a te
ver envelhecer atenuas minha
estupidez quero estar em casa ao
teu lado a aprender a dissimular a
insensatez contigo a evolução é
duma vez a vida tem sentido o
mundo direção o tempo não passa
a voar cada hora nossa é só emoção
berçário de estrelas vira nosso
coração criamos planetas novos
suas luas quando passamos poesias
enchem nossas ruas és mesmo uma
musa sou um bardo um aedo a lirar
sem segredo ou alterado um louco
fascinado que quando está contigo
não sente medo nem de mau olhado
quero ficar em casa contigo criar uma
ong para te proteger uma fundação
em teu nome uma instituição para
manter a tradição nada está quieto
na natureza acalma a sensação de
dia após dia manter a adoração de
minha alma acoplar à tua numa
eterna união a tua imagem vou
mandar eternizar por ninguém
menos do que andy warhol numa
das minhas viagens ao além ou
através dum médium ou até numa
desincorporação pessoal ou numa
incorporação de marilyn monroe
demonstrarei minha dedicação só
quero ser uma tatuagem em teu
espírito um ferro em brasa no teu
ser a marcar teu nome no infinito
não quero nada que não possa
querer além do poder de estar
contigo falar teu nome velar teu
sono ninar teu sonho acordar para
sentir quando acordas ou que
continues a dormir a sonhar
estarei aqui contigo como abrigo

NL, 0150302010; Publicado: BH, 0110302026

terça-feira, 10 de março de 2026

LLEWELLYN MEDINA, ESPERAMOS UMA NOITE SOMBRIA:

Esperamos uma noite sombria


Esperamos uma noite sombria

esperamos o silvo e o clarão do raio apocalíptico 

enfeitado com a estrela de Davi

esperamos a estrela de Davi

não destrua o último cedro

emblema nossa bandeira

enraizada em nosso coração 


não basta que o rei Salomão tenha 

feito "para si um palanquim de madeira do Líbano"


vigiaremos insones 

e não sucumbiremos

nosso rio Magoras já conteve gregos e romanos

e continua vivo 

nele ainda banham-se ninfas e magníficas donzelas

nossa Paris do Oriente deslumbrante


os bárbaros que amam o discurso do míssil 

refestelam-se com nossos kibes kaftas e tabules  

consomem nossas milenares tâmaras 

embriagam-se com nossos divinos vinhos

escória que são

regurgitados serão 

até consumirem-se ao aniquilamento

os bárbaros hão de passar 


já me despedi de parentes e amigos

já me despedi desse teto

que me abriga 

generosamente protege

testemunha de amores 

com os quais vivi dias paradisíacos 

e convivi o milagre do pertencimento


esperamos uma noite sombria 

e o amanhã virá radiante

nossa Beirute ressurgirá 

brilhante e luminosa 

farol do Mediterrâneo.

ao povo yankee do fascista facínora donald trapo

ao povo yankee do fascista facínora donald trapo
desumano já imaginaste desde que o dito chegou
ao pode quantos seres humanos esse assassino já
matou? quantas crianças esse infanticida já
exterminou? quantas mulheres esse feminicida
já foi responsável pelo feminicídio? quantos
homens esse homicida já deu cabo com himicídio?
agora volta as garras da águia a cuba quer por que
quer levar mais desgraças ao pacato povo cubano
que já sofre com um bloqueio econômico há
décadas insano povo yankee que não tens
vergonha do genocida que elegeste pede para
deixar cuba em paz quem aí pode parar esse esse
celerado sanguinário? quem aí chamará esse
barrabás à lucidez? à razão? à insensatez?
alguém precisa fazer alguma coisa o mundo
precisa tomar uma posição uma atitude atitude
isolar esse touro selvagem calar essa voz de ódio
essa sede de sangue essa fome de carne alguém
precisa levar esse monstro de volta ao labirinto
antes que acabe com o mundo não adianta apelar
a deus orar a fazer vistas grossas aos crimes desse
porco yankee temos que salvar cuba o quanto
antes é questão de humanismo de liberdade de
independência com o fim a essa maldição
imperialista que não parece ter fim

BH, 0100302026; Publicado: BH, 0100302026

segunda-feira, 9 de março de 2026

o sonho seria o país livre dos corruptos dos corruptores

o sonho seria o país livre dos corruptos dos corruptores
dos corrompidos ou de suas corrupções promovidas
pelas elites repetidas pela burguesia pois o povo
trabalhador brasileiro a nação trabalhadora brasileira
que sustentam as elites a burguesia o estado o mercado
a sociedade corrompida não têm tempo têm que
trabalhar correr atrás do mísero salário mínimo a pagar
aluguel cesta básica lazer saúde não a praticar as
praticidades dos entes das entidades corruptas
corruptoras corrompidas com suas corrupções que
atrasam o desenvolvimento do país mantêm as
impunidades as injustiças as desigualdades a falta de
educação então é tolerância zero com esse crime
organizado é tolerância zero com essas facções as
quadrilhas os tráficos os contrabandos agora é passar o
país a limpo com apoio do ao proletariado brasileiro
doa a quem doer é livrar o brasil dos tentáculos
malditos da extrema-direita é tolerância zero com
políticos fisiológicos porém o povo unido precisa querer
isso é consciência total na hora de exercer a cidadania a
soberania a dignidade é consciência total para não
deixarmos nos enganar com falsos políticos suas
políticas predatórias omissas práticas criminosas é
consciência total para nos livrar ca inconsciência total

BH, 040202026; Publicado: BH, 090202026

sábado, 7 de março de 2026

de cabeça para baixo nasci de cabeça para baixo

de cabeça para baixo nasci de cabeça para baixo
vejo tudo de cabeça para baixo ando cabisbaixo
sempre com o rabo entre as pernas não há como
ser diferente vivo num mundo doente depois
que inventaram o que não podes ser finjas que
és assim como agora ninguém é feliz ninguém
ama quem está por fora ou por baixo todo
mundo finge tudo que é feliz que sofre que é
rico que é pobre ninguém nota ou finge também
não notar ou vira a cabeça para baixo a
infelicidade está ao lado olho para outro a
infelicidade está à frente olho para atrás o
importante é fingir que não é infeliz que deus
existe que a oração resolve que o pastor nos
guia a um mundo melhor só não percebemos
que o mundo melhor é só o mundo particular
do pastor que já está resolvido por nós que se
errar acertará as contas com deus então vamos
fingir hipocritamente somos felizes a infelicidade
não existe são coisas que põem nas nossas
cabeças se sou feliz só não é feliz quem não quer
ser feliz? eis a questão se deus fez por mim por
que não pode fazer por ti? pergunta o pastor
sorridente entre os dentes com as contas
correntes de vento em popas mais gordas dos
bancos tu que és um fracassado irmão um
indivíduo sem fé sem esperança sem sonho tu
que és um herege um vodu todo mundo que
entra pela aquela porta vai para o céu pastor só
se for de cabeça para baixo nasci de cabeça
para baixo vejo tudo de cabeça para baixo

BH, 0110202026; Publicado: BH, 070302026

terça-feira, 3 de março de 2026

tomai essas lágrimas bebei-as não são de doçuras

tomai essas lágrimas bebei-as não são de doçuras
são lágrimas de vinhos de segunda nunca pude
beber dos vinhos de primeira tomai essas
lágrimas saciai vossas sedes são lágrimas de
pingas feitas de álcoois desdobrados nunca pude
beber de pinga da forte de cachaça boa ou do
cauim preparado pelas indígenas para os festins
essas lágrimas não são boas são dos meus avós
paternos são dos meus avós maternos porém são
o que vos posso oferecer enchei vossos vidrinhos
tal nero encheu quando tocava harpa a incendiar
roma harpia matava a mãe fazia outras
estupidezes bebei não ficareis estupefatos com
parcos porcos fatos históricos a história é cheia
do que presta mas mais do que não presta na vida
um cadáver a escorrer uma furtiva lágrima do
canto dalgum olho pode ser engando a pensar que
está vivo a lágrima é o único vestígio que pode
constatar que um corpo cadavérico não está morto
então tomai essas lágrimas bebeis sereis vivos
também enchei o cálix bento transbordai o santo
graal comei a hóstia consagrada enxugai no santo
sudário o suor a salmoura o sangue lembrai dos
antepassados dos ancestrais dos antecedentes todas
lágrimas desses entes são lágrimas desse vidente

BH, 0110202026; Publicado: BH, 030302026

sábado, 28 de fevereiro de 2026

sertanejo é um certo nojo de excremento da extrema-diteita

sertanejo é um certo nojo de excremento da extrema-direita
que já agrediu já matou mulheres já atropelou embriagado
levou alguém à morte agrediu até ao óbito algum inocente
geralmente é evangélico ou crente ou pentecostal detesta o
povo trabalhador brasileiro humilha a nação trabalhadora
brasileira não apoia nenhum movimento de emancipação
do proletariado bate continência à bandeira ianque tece
loas à toa à toa ao imperialismo rende graças ao nocivo
capitalismo ao nefário colonialismo hoje vive preso na
miséria do neoliberalismo pois com todos milhões que
tem é um pobre coitado que logo será esquecido nunca
será lembrado homenageado laureado ou terá busto em
alguma praça ou estátua num mausoléu um baluarte um
troféu nem memória pós mortem nada o sertanejo terá só
um certo asco um certo nojo uma certa repulsa causará
uma vertigem uma ânsia de vômito um engulho um mal
augúrio mau ao maltratar animais em rodeios vaquejadas
touradas farra do boi corridas caças torturas tudo o mais
que não presta como a música que tenta cantar ao gritar
sem parar sem nenhum romantismo lirismo poética ou
metáfora rica em goética pois sertanojo é a imagem do 
cão doido do sertanejo do cavalo dopado alucinado que
pega o freio nos dentes atropela razão ciência consciente

BH, 0280202026; Publicado: BH, 0280202026

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

há dias que passo a pensar na vida

há dias que passo a pensar na vida
não passo dos pensamentos não
passo à vida continuo a pensar que
no ledo engano um pedaço de cano
uma rosca emperrada uma porca
enferrujada um parafuso difuso a 
menos uma dor imprecisa a mais
não imortalizo um grão de areia
não rompo um átomo não disseco
uma molécula quero dar uma de
pensador tenhas piedade de mim
senhor que todos os meus bons ou
maus pensamentos morram comigo
ou antes de mim se todo mundo
pensasse o capitalismo não existiria
ou chegaria ao fim o capitalismo só
existe porque ninguém pensa age
por instinto age por intuição age por
animalismo por ninguém perder a
condição de animal o sentido
animalesco aí deu no que deu o
que chamamos de humanidade a
hipocrisia do humanismo fazemos
o mal vamos rir somos maus
vamos gargalhar correr às igrejas
fazemos o bem voltemos aos
armários aos guarda-roupas aos
mofos aos bolores ás seborreias
às salmouras fujamos da luz do
sol da água da chuva fujamos
das estrelas de tudo que incomoda
mais do que um pensamento que
poderia causar uma metamorfose

BH, 0110202026; Publicado: BH, 0270202026

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

quem escreve é ignorado pois faz algo chato

quem escreve é ignorado pois faz algo chato
que é escrever para alguém ter que fazer
outra coisa chata que é ler pois ler é mais
chato do que escrever ler é interpretar
entender compreender raciocinar pensar
tudo que o humano não gosta de fazer ler
não é tão fácil igual a escrever ler é usar
todo o discernimento a razão o pensamento
desvendar a metáfora criada naturalmente
pelo escravo da escrita que se passa por
escritor pois quem escreve é antes de mais
nada um escravo que escreve para se libertar
para se livrar das correntes do passado para
se livrar das doenças físicas ou mentais ou do
espírito ou corporais ou para tentar evoluir a
alma o ser o ente a entidade escrever todo
mundo pode escrever sem preocupação não
importa o que porém a função de ler requer
um preparo requer um ritual de concentração
de meditação como se o ledor se preparasse
para uma oração ao mais elevado ou perfeito
deus do universo ler requer toda a qualidade
duma raça toda evolução duma espécie todo o
sentimento o sentido dum ser humano todo
o humanismo da humanidade todo o
preparo para uma civilização superior sem o
leitor o escriba não se liberta continua
escravo a escrever eternamente para a
eternidade suas eternas cartas de alforria

BH, 0120202026; Publicado: BH, 0260202026

FLEETWOOD MAC:



 

NENHUM DE NÓS:




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

não sabias porém eras a razão da minha vida

não sabias porém eras a razão da minha vida
que tanto queria de mim foi levada da noite 
para o dia hoje meu dia é só noite não tenho
mais alegria deste-me grandes momentos de
prazer de felicidade no existir por pouco
tempo ao teu lado preferiste partir a me
deixar partido dilacerado nunca mais
chegarei perto de ti nunca mais chegarás
perto de mim o que farei sem a tua presença
ou com a tua ausência? preciso fazer alguma
coisa para preencher meu coração que agora
está eternamente vazio de sangue de vida de
amor de paz só tormentos tempestades
pesadelos nada de bonança de riso de criança
nada de ternura de carinho de doçura só sal
passo mal com tremura vertigens tonturas o
tempo passa rápido dizem que voa deixo o
tempo ir todo meu tempo agora será perdido
não correrei em busca dum novo tempo dum
novo caminho duma nova vida pararei de
correr de andar pelas estradas de passear
pelos caminhos pararei de sonhar levaste
para onde foste todos os meus sonhos contigo

BH, 0230202026; Publicado: BH, 0230202026

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

triste por não ser livre por ser escravo dos escravos

triste por não ser livre por ser escravo dos escravos
do capitalismo triste por não ter a verdade que põe
um fim nisso no imperialismo está aí a me demonizar
a me desmoralizar o colonialismo que não me deixa
evoluir ser um cidadão do mundo livre sem fronteira
a compartilhar a liberdade aí faz de mim um refugiado
desesperado um flagelado social desassossegado um
cidadão sem cidadania sem soberania sem dignidade
triste sem democracia com bloqueio econômico
desumano tarifaço sem razão chantageado refém órfão
ninguém invisível triste o mundo está errado o forte
cada vez mais forte o fraco cada vez mais fraco não sei
mais o que faço para estas tristezas acabar compor um
samba libertador uma canção de amor um poema de
paz nada me satisfaz triste não acabar a escravidão ao
contrário continuar no armário na sala no salão o povo
quer mais é contar o tempo que foi escravo ou a
eternidade que terá a escravizar o irmão sem remorso sem
moderação a sociedade ainda não me deu uma verdade

BH, 0290102026; Publicado: BH, 0200202026

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

não queremos mais saber de nada

não queremos mais saber de nada
vem o político da extrema-direita
todo mundo vai atrás tece loas até
bate palmas enche o congresso
nacional com o que há de pior de
inimigos do povo da nação do país
todo mundo coloca nos governos
estaduais governadores antivacina
favoráveis à destruição do meio
ambiente comparsas de facções de
milícias de quadrilhas esquadrões
da morte tudo do crime organizado
desse jeito o brasil não tem jeito 
elege prefeitos imperfeitos que
pensam primeiro em si nas próprias
famílias no nepotismo então o povo
precisa apelar para a consciência
de classe com voto cidadão com
trabalhador a votar em trabalhador
não no patrão nem no crente cristão
ou no delegado fanfarrão ruralista
assassino de sem terras urbanista
exterminador de sem tetos no
empresário disseminador de sem
empregos então nem pensar no
político que é racista odeia preto
negro é capitão do mato manda
voltar ao mato pois com isso com
esses a nação em vez de avançar
estagna retrocede atrasa a gerar
infelicidade total do país o pobre
fica mais pobre mais triste não
consegue ter mais alegria a dar
razão ao rico sorridente que o
explora todo dia às vezes até à
noite também a pagar o mínimo
quando chega a pagar alguma
coisa pois nem sempre quer pagar o
que o trabalhador realmente merece

CARLOS SANTANA:


 



meu cérebro ainda está a dormir

meu cérebro ainda está a dormir
não acordou os neurônios não
despertam nem com o big bang
o caos só não é total na minha
cabeça porque o espaço-tempo
é dorminhoco a confusão só não
se agrava se expande devido a
sonolência o dia no qual brilhar
uma ideia dentro do meu crânio
possivelmente encontrarei uma
porta para meus pensamentos se
elevarem de mim no despertar
interim vivo com olhos pesados
em constante sono durmo assim
sistematicamente desde do dia
no qual acordei quando acordei
não era dia era noite então não
sei a definição se estou do lado
de fora ou do lado de dentro do
meu coração fico aflito
melancólico calafrios me
sacodem arrepios me fazem
tremer gasturas percorrem meu
corpo atritos fricções
derrapagens raspam minha pele
no asfalto fico pendente sustado
em falso entre o pé o contrapé
levo uma rasteira que me torna
ao chão rente ao rés-do- chão
suspiro bêbado soluço sem
emoção intrigado constante
enfrento a tempestade de areia
de olhos abertos penso preciso
estar desperto a chacoalhar o
organismo a minar os elementos
desta inércia no metabolismo

BH, 0190802010; Publicado: BH, 0190202026

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

quem não tem dinheiro vive menos

quem não tem dinheiro vive menos
numa encruzilhada a pedir a deus
todo santo dia uma fórmula para
viver sem dinheiro uma maneira
de morar sem ter que pagar o
aluguer numa forma de não ouvir
a filha a pedir grana a mulher a
querer fazer compras para a casa
quem não tem capital vive num
dilema de não entrar em pênico de
não fazer besteiras de não fazer
umas loucuras ao enfiar as mãos
nos fundos dos bolsos não
encontrar nada sai do lar de
manhã a abanar os braços vazios
a voltar ao fim da tarde com as
mãos rente ao corpo membros
lassos pêndulos inúteis que não
geram rendas à família a cobrar
ali a encher os ouvidos aflitos de
lamúrias de reclamações é uma
cantilena de lamentações maiores
do que as do jeremias quem não
tem dinheiro odeia a si mesmo
mais do que odeia ao próximo ao
sistema à sociedade culpa a deus
ao mundo pelo infortúnio muitas
vezes a culpa é do próprio mesmo
vive a procurar noutros no alheio 
as desculpas as justificativas que
não o deixam dormir em paz à noite

BH, 0190802010; Publicado: BH, 01802002026

não tenho uma gala uma isolda ou uma julieta

não tenho uma gala uma isolda ou uma julieta
também pudera não sou um dali um tristão ou
um romeu sou só uma vítima dum sonho mal
acabado um pesadelo interminável esta
psicose ambulante beco sem saída rua de
mão única sem acostamento já pendi para
um lado já cambiei para outro nunca
encontrei o lado certo procurei na hora
errada justamente na hora na qual não me
encontrava em lugar algum não procurei em
mim pois nunca tive motivo para ficar para
ser alegre uma causa para lutar ou um ideal
para defender aí vago pelos recantos
porções mais escassas da vida muros
envelhecidos mentes medievais
ancoradouros abandonados distancio das
distâncias jamais estou perto dalguma coisa
a acontecer a existir volto ao casulo morro
antes da metamorfose continuo a lagarta de
fogo que tanto medo metia  às crianças aos
meninos às meninas que brincavam nos
arredores tinham medo de pisá-las de pés
descalços a lagarta real vira aquela
borboleta que todos desejam colecionar

BH, 0200802010; Publicado: BH, 0180202026

ENGENHEIROS DO HAVAÍ:


 

SÓ OBRAS-PRIMAS, SAMBAS DE ENREDO:


 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

não me deixeis morrer assim medíocre

não me deixeis morrer assim medíocre
aos pontos da ignorância da estupidez da
insensatez dai-me uma morte digna de
príncipe de maquiavel uma morte nobre de
poeta oriundo da ursa maior de quem não
chora na presença da morte tenho o maior
receio de ser pequeno de minha morte não
fazer jus aos fortes tenho o maior medo de
minha morte não ser respeitada pelos
destemidos dai-me uma morte de márti de
lorca não vale a pena morrer igual estou
para morrer tem alguém aí que vai morrer a
querer morrer igual vou morrer? duvido dai-me
uma morte rebelde de revolucionário
de comunista nunca uma morte burguesa de
elite de quem não sabe morrer ou vive a
procurar subterfúgios i juca pirama para
fugir da morte não façais isso comigo não
deixai a morte me levar ao vedes que
morrerei ao rés-do-chão tentai fazer alguma
coisa uma tentação contai uma mentira uma
verdade não ninguém acreditaria numa
verdade a mentira é mais prazerosa todos
ficarieis felizes no meu velório na ida ao
enterro em procissão como se estivesseis
convoco numa roda ambulante de prosa 

BH, 0150202026; Publicado: BH, 0150202026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

moisés o profeta general legislador dos hebreus

moisés o profeta general legislador dos hebreus

autor dos cinco primeiros livros da bíblia os ditos

pentateucos  general legislador dos gênesis êxodo

levítico números deuteronômio fênix fantástica

ave da arábia da qual segundo a lenda só existia

um exemplar tinha o pescoço dourado o corpo

vermelho a cauda azul rosa ao atingir

quinhentos

anos impregnava a mata de aromas deixava-se

queimar pelo sol ressurgia osíris divindade egipsia

júpiter pai dos deuses senhor do olimpo mercúrio

deus dos viajantes dos ladrões dos mercadores

licurgo legista dos espartanos pompílio segundo

dos sete reis de roma rômulo numa pompílio

túlio hortílio anco márcio tarquínio prisão

sérvio túlio lúcio tarquínio o soberbo pitágoras

filôsofp grego nascido em samus no ano 580 ac

admitia a imortalidade a responsabilidade da

alma o número como fundamento das coisas as

terra no ce tro do universo etc morreu em

metaponto mais ou menos no ano 500 ac a

quem interessar possa informações irrelevantes

a quem interessar possa


BH, 0301202001; Publicado: BH, 0130202026