apesar de machucado aparento estar vivo ferido não vejo
cura para as feridas que deixarão cicatrizes tatuagens
hematomas equimoses que mais parecerão pinturas
rupestres na pele pré-histórica fica então o dito pelo não
dito para quem sempre diz que não digo nada pois nem
preciso se a arte fala por si não necessito falar nada fico
cada vez mais mudo ou surdo ou cego ou louco como
queiram não fico nunca como quero sou o que não tem
direito de não querer nada nem ser ainda mais para quê ser
num país de ninguém? onde trabalhador não é onde
professor não é onde povo não é quando é é de
extrema-direita pede invasão ianque pede intervenção
militar então sigo ao meu coração prefiro não ser nada
mesmo ao não ser nada penso que sou alguma coisa só não
quero que pensem por mim que me façam falar o que não
quero falar ouvir o que não quero ouvir nem a minha voz
que me façam ver o que não quero ver nem os meus olhos
aí sigo o sol sigo a lua sigo as estrelas como os nômades de
antigamente antepassados ancestrais antecedentes sigo os
mastodontes os mamutes os elefantes são pegadas profundas
eternas são pisadas para a posteridade enquanto houver
tempo estarei aqui sozinho a pensar que posso pensar o que
quiser até pensar que sou alguma coisa num mundo sem destino
BH, 0200102026; Publicado: BH, 0220102026
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