sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Tudo em mim vai de encontro a tudo; NL,0701002008; Publicado: BH, 020502010.

Tudo em mim vai de encontro a tudo
Não comungo não confesso
Não participo de liturgia cultos
Ou missas tudo em mim é contrário
Ao normal ao comum ao antigo
Não entro em igrejas não dou moral
A padres outros bichos mais mesmices ou
Rotinas de vida cotidiana explodo
Ou implodo não quero é entrar no
Círculo vicioso dessa sociedade
Desumana boçal hipócrita imbecil
Sei mentir desde que nasci hoje a
Verdade esconderam de mim o
Meu prato meu pão de cada dia é
Uma hora a falsidade noutra
É a antipatia o prazer a desagradar em
Dizer não fazer alguém chorar não
Sei sorrir meu riso é de hiena meu
Sexo é de hiena meu gosto pela carne
É o mesmo do dragão de Comodo é o
Mesmo que alimenta aos urubus ou aos
Porcos nas pocilgas não me acostumo
Com o que é bom o belo ou a fazer o
Bem isto se reflete no meu semblante
Carrancudo de quem está sempre
Insatisfeito consigo próprio mulher
Não consigo realizar mais não há alguém
Que possa fazer feliz vide meus
Pais familiares todos sofredores de
Muitos dissabores meus Amy Winehouse pelo
Menos soube aproveitar muito bem o seu lado 
Trágico transformou tudo em belas poesias
Belas músicas pegou sofrimento infelicidade
Soube ganhar a vida sobreviver eu não

Quem é que não gosta de ser libertado; NL, 0701002008; Publicado: BH, 020502010.

Quem é que não gosta de ser libertado
De ter liberdade ainda de ter o 
Privilégio de ser livre libertador? penso
Que a liberdade seja o maior bem
Do homem que não temos que nos intimidar
Em exercê-la a liberdade representa a
Soberania a cidadania os direitos
Os deveres do homem nesses quesitos o
Brasil é uma grata referência ao mundo
Nem mesmo o império que vive eternamente
Em alertas paranoicos psicóticos pode ter
O dom duma liberdade igual ao do homem brasileiro
Que lutamos pela liberdade sem sermos belicosos
Sem sermos um povo derramador de sangue
Nosso dos nossos semelhantes pela liberdade
Somos capazes de irmos até a última
Gota o nosso povo nunca aceitou não
Aceita jamais aceitará prisões grilhões
Ou ser subjugado por outro povo me
Dá vontade de gritar viva o povo trabalhador
Brasileiro que não se entrega não se
Humilha não é covarde ou
Comete covardia com outros povos irmãos
Viva a liberdade viva o povo trabalhador brasileiro
Viva a mulher trabalhadora brasileira viva o Brasil
Devagar estamos para chegar lá para resolver
Em paz os nossos problemas colocar em
Dia as nossas diferenças equiparar as
Seculares equilibrar as sociais
Importante agora é ter paciência
Não colocar a carroça na frente dos burros
Não deixar que a luz do passado venha 
Turvar o nosso presente o nosso futuro

Visionário de visão limitada cego; NL, 0100402008; Publicado: BH, 020502010.

Visionário de visão limitada cego
Cantor de ópera mudo
Afinador de piano surdo
Touro reprodutor eunuco
Degustador de iguarias ostomizado
Provador de vinho de café sem
Papilas gustativas na língua
Corredor sem pernas
Lutador de boxe sem braços
Orador juramentado lobotomizado
Que só fala a mentira
Fraco tirado a forte
Vazio de qualidade que
Se gaba de ter todo o valor
É assim que sou que me sinto
Que vou com o amargor do absinto
Marido sem mulher
Pai sem filhos
Filho sem pai
Estou para pagar o mesmo
Preço pois é aqui que
Tudo se faz tudo se paga
Dessa lei ninguém escapa
Ninguém foge é por isso que
De vez em quando me pego tranquilo
Pois tudo que fiz a outrem aqui vou 
Pagar tudo que fizeram comigo
Também vão pagar não a mim que
Não sou vingativo nem ambiciono
Mas penso que o destino deve ser assim
Cada um a dar a receber de acordo
Com a medida que viveu no mundo
Profeta sem profecia
Evangelizador sem evangelho
Cristão sem cristianismo
Religioso sem religião
Membro sem igreja
É assim que me sinto
É assim que sou
Apesar que a minha avó
Levava-me para me consagrar
No altar da Igreja Nossa Senhora de Fátima
Na Baixinha do Bela Vista
A mãe de minha madrinha
Levava-me para a encruzilhada para fazer
Suas rezas jogar uns pozinhos pelos
Caminhos do altar o padre invocado de vez em quando
Expulsava a mim à minha avó meio embicada
Minha mãe já não gostava das 
Minhas andanças pelas encruzilhadas
Com a minha preta os pós os patuás as rezas

Sumiu tudo de minha vida; NL, 070402008; Publicado: BH, 020502010.

Sumiu tudo de minha vida
Tudo que tinha deixei
Fluir por entre os dedos não
Ficaram nem as marcas dos anéis
Sabes caráter virtude algum tipo
De qualidade tudo foi de embalo
Perdido como valores vãos nunca
Tive nada mesmo penso que procurei
Penso que tentei encontrar fazer
Alguma coisa construir uma vida
Existir ter valor coloquei por terra
As tentativas eram castelos de areia
Eram ervas na procela folhas
Que o vento dispersa tal qual
Está escrito na Bíblia às vezes penso
Que tive sorte pois dei à luz
Antigamente em Teófilo Otoni
Depois Rio de Janeiro Belo Horizonte
Galileia Itabira compus com Carlos
Drummond de Andrade não sei de repente
Nada está perdido estou aqui assim
Desesperado angustiado a lamentar o
Destino que foi traçado para mim
Meu bem sou eu meu mal também
Sou eu sou o que é bom para
Mim sou o que é mau para mim
Meu livre arbítrio no aquém
Aqui no além não almejo colher
Na escola de bruxaria de Harry Potter
A única bruxaria que almejo é a
Do Bruxo do Cosme Velho nessa
Escola gostaria de me matricular
Aprender os segredos dele que
Enfeitiçam mundo a fora ser
Um bom aplicado aluno dessa
Escola recuperaria tudo que
Joguei fora voltaria a mim tudo
Que fluiu de mim as mãos os anéis os dedos

Mendigo alguém viu algum mendigo elegante? NL, 040402008; Publicado: BH, 020502010.

Mendigo alguém viu algum mendigo elegante?
Poeta é a mesma coisa que mendigo não há
Elegância no poeta poeta também é mendigo
Passa a existência a mendigar mendiga
Sabedoria inteligência discernimento
Passa o tempo a mendigar mendiga
Inspiração criatividade imaginação
Poeta é ser sem estilo não é esteta não
Tem educação passa os dias na preguiça
Não tem classe tem improvisação poeta
Chora à toa se derrete fica comovido
É cheio de remorso não tem cultura
Conhecimento de vida é duro
De aprender não sabe ensinar
Vive sempre a apanhar a tomar
Tapas na cara está para morrer
Do que para matar poeta é assim
Ser muito ruim donde nada se
Pode aproveitar nunca tem razão
Muito menos omite opinião perde
O tino num copo de cerveja o juízo
Numa dose de cachaça pela mulher
Perde o coração quando morre
Órgão nenhum pode ser aproveitado
Para transplante ou para doação está
Tudo arruinado o sangue contaminado
Alma espírito ser ente existência
Sujeira total falência doença senilidade
Demência é a poesia que o poeta
Apresenta poema com fome a sobrar
Carência poeta mendiga sobrevivência
Foi estragado por Deus melhorado
Pelo diabo mas depois os Dois viram
Que com o poeta não tem jeito o
Deixaram abandonado para mendigar
Pelos bares da vida renegado
Tal qual um cavernoso condenado

Deus meu responda-me por favor; NL, 070402008; Publicado: BH, 040502010.

Deus meu responda-me por favor
Quando será que atingirei sempre
O meu objetivo? quando será que estarei
Próximo de concretizá-lo? quando será
Que produzirei uma obra marcante
Uma das mais notáveis da história
Da literatura? Deus meu responda-me por
Favor preciso saber pelo menos saber 
Morrer para que na poesia saiba viver
Deixe poemas dignos de serem benefícios
Da humanidade um dia obterei a resposta?
A minha arte despertará interesse?
Nos despertará para um mundo melhor?
Por mim sei que não conseguirei nada
Justamente por que o meu objetivo
É a poesia pura aplicada é o poema sublime
A ode universal a elegia sobrenatural Deus
Meu encha-me de inspiração nesta oração
Dá-me o dom de ter uma qualidade poética avançada
Dá-me o dom de fazer com que os frutos
De minha imaginação sejam doces maduros
De criatividade sabedoria que encontre
Palavras vocábulos expressões idiomáticas
Que encante com estas letras a todos os
Desencantados da vida dá-me espírito
Alma ser que eu me doe em espírito
Alma ser ou do contrário não valerá a
Pena o meu viver quero ter clareza
Tal qual tem a luz do sol quero ter calor
Ser fonte vital de energia quero ter
Sabor não causar dissabor a quem queira
Desfrutar do meu amor sozinho não 
Encontro ideias fico opaco com o ente
Trêmulo como se estivesse doente apanho
Da vida perco para o destino o meu dia é
Desatino morro de fome morro de sede
Por mais que procure não encontro o que comer
Nem o que beber o pão do poeta é a poesia
Porque me dão pão? Deus meu a única
Pessoa que pode me batizar dizer te
Batizo poeta é o Senhor aguardo
Sei que muito Te contrariei creio que mesmo
Assim não levarei frustração para o túmulo

Lembras de quando eu era estúpido? NL, 0401002008; Publicado: BH, 040502010.

Lembras de quando eu era estúpido? 
Eras? lembras de quando eu era inútil? 
Eras? lembras de quando eu era ignorante? 
Eras? me enganas que gosto vais 
Enganar outro queres dar uma de que 
Mudaste d'água para o vinho? vês se te 
Enxergas rapaz lembras de quando eu era 
Homem? estou a falar porque agora sou 
Verme roedor de carne podre roedor de osso
Descarnado roedor de entranhas mortas
Lembras de quando eu era covarde? eras?
Lembras dos meus cabelos rebeldes? se
Rebelaram todos fugiram de minha
Cabeça a me deixar careca lembras
Dos meus dentes? não tenho mais nenhum
Que presta na boca dos meus músculos?
Todos hoje são flácidos nada mais
Tenho de rígido de teso lembras
Da minha pele? hoje é toda enrugada
Preste a querer se rasgar com o vento
A mão que era firme é trêmula igual
Gelatina os pés que sustentavam
O corpo agora são vacilantes o corpo uma
Carcaça declinante de baleia que morreu
Encalhada numa praia deserta num banco de areia ou
Dum calhambeque que não teve mais
Jeito não teve conserto foi
Deixado numa rua sem saída ai
Minhas dores lembras de quando eu
Era sadio? não tinha dissabores? vejo
Que a memória de meus amores não tira o
Total estado de hibernação em que entrou
O meu coração meu cérebro é pura letargia
Eu um urso velho que não sai mais para caçar
Que as caças riem zombam que escroto
Ninguém lança pelo menos uma palavra de conforto