quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sou o alvo e podeis-me darderjar-me à vontade; BH, 0110302001.

Sou o alvo e podeis dardejar-me à vontade,
Atirar-me dardos, lançar chamas, expelir em cima
De mim; não nasci para cintilar, já está
Escrito, podeis dardar-me sem mirar, que vades
Acertar-me; podeis ferir-me, punir-me, afligir-me muito
Com dardo, com tiro de dardada, ajo
Como se fosse um dardanário, aquele que
Monopoliza mercadorias, a forçar a alta;
Minha alegria é de darandina, de azáfama,
E de lufa-lufa, não sei dar nada;
Não sei ceder nada, e nem transferir,
Não sei conceder nada, e nem doar, quanto
Mais presentear alguém; ministrar uma
Ajuda, prestar um favor, ou dedicar um
Pouco de mim a uma pessoa que quer abraçar-me;
Não sou de produzir nada, e minhas palavras
São só de bater, de soar no aço, e de
Brotar no ferro; preciso admitir o que
Sou, revelar a verdade, sem deixar
Manifestar a mentira que se esconde
Sob mim; não quero supor nada
Daquilo que não fui, que não sou, e
Que não serei, daquele outro modo que
Tentei ser, e daquele dão-dão, o dandão
Dantesco, que se parece com as cenas por
Dante descritas em seu livro famoso;
Dantes, eu até pensava, antigamente,
Eu até imaginava, outrora até que
Sonhava, antes o pensamento valia,
E influenciava meu comportamento;
Hoje pensar é danoso, sonhar é o que
Causa dano, imaginar é nocivo, e o
Pensamento é prejudicial, causa destruição,
Perda, e prejuízo, mal incalculável, e que
Não tem mais restauração devido ao efeito
Danisco, ao espírito danado, que
Não sabe ter o raciocínio hábil, o raciocinar
Esperto, que impedem a declinação, tal
A flexão dos substantivos, adjetivos, e pronomes;
E a não perder o marco de um círculo
Máximo da esfera, compreendido entre o
Astro que se observa, e o Equador, bem como
A diminuição de intensidade; e impede
O abatimento do ser, a decadência do ente,
O declive do espírito, a inclinação da
Coluna vertebral, o declinar sombrio
Do semblante, e ao atingir a utilidade
Da declina, a régua com duas pínulas,
A qual se move em roda para mostrar
Os graus do astrolábio; podeis enfim abrir-me
Sem temor ao publicar as impressões, ao
Expressar o teor da verdade, e anunciar
Que a única liberdade é a sabedora; e
Explicar sem medo o valor do confessar,
Do não querer aparecer, nem descobrir-se
Ao patentear, e ao revelar o conteúdo da
Obra a expor, e a manifestar a favor de
Declarar o autor da confissão de amor;
O dono do depoimento, do efeito da declaração
Decadentista, do literato decadista, que se
Compraz em refinamentos mórbidos, e
Pervertidos, no estilo do decadentismo, e o
Decadismo da arte, e da escola dos decadistas;
Pois em vez de chorar, prefiro declamar,
Recitar em voz alta, a dar entonação
Apropriada, e conveniente ao falar, e ao
Discursar, e com teor solene; pois
Antes de ser um lamentador, ou um
Lamuriador, prefiro ser um declamador;
Ser aquele que declama, orador, e
Escritor enfático, com declamação elevada,
Com maneira, e arte cheias de afetações,
E artifícios; porém, com naturalidade, com
Ideias, e sem palavreado oco, e mensagem
Decadencial, e longe do complexo decadente, e
Que decai, e definha, que se corrompe, e
Fica caduco com o tempo.

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