quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Nunca mais escrevi uma canção e as velhas cantigas; BH, 02801202016.

Nunca mais escrevi uma canção e as velhas cantigas
Deixei cair no chão, os cantos esqueci pelos cantos 
E os cânticos desfigurei dos lados santos; as odes as 
Fiz sórdidas, as elegias mórbidas e da poesia, pão
Azedo que deu azia e do poema, o pus do edema; e
Deflaguei a guerra no lugar da paz, o amor mandei 
Embora e não voltar nunca mais e o grasnar do corvo
Ecoa nos furos dos meus ouvidos: feliz nunca mais;
Medroso não sou capaz de reação, atitude, presença,
Covarde cometo aberração e mato o semelhante de
Estupidez e ignorância; e debato de ânsia, absurdidade,
Maldade, aprendi menino a ser ruim, a dizer não a 
Sorrir, a matar passarinho no ninho, a matar beija-flor
Na flor, a dizer entre dentes, quem quiser que seja 
Bom, no mundo não há lugar para o bem e o 
Espelho no escuro só reflete o além; mamãe centenária,
Não aperta com força a minha mão, que ela está 
Quebrada, perdoa este velho pecador, que só deseja
De herança o teu amor, para aplacar a minha dor; 
Salvação só tenho em ti, pois Deus não perdoou-me, 
A não ser como parceira dele, a senhora interceda 
Por mim, para que Deus refaça o conceito que tem a 
Meu respeito; minha mãe amor de mãe, mamãe de 
Amor, que tanto quero herdar de ti, toda força e 
Calor e glorificar aos céus e terras, a mãe maior da 
Qual sou filho homem de mãe, velho homem, homem 
Velho sem valor, mas, que a mamãe centenária abençoou.

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