quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Patagônia, 927, 34; BH, 040102012.

Madrugada alta e daqui do alto
Da Patagônia, olho a cidade adormecida
A meus pés e é só uma cidade adormecida
Ao pé de mim; e estou nesta cidade
Como um anjo está em mim e
As luzes lá embaixo parecem estrelas
Que caíram do céu; não durmo,
Pois os mortos não dormem e os
Mortos só servem para enterrar os
Seus próprios mortos; mas não enterro
Os meus mortos, os meus mortos 
Tento eternizá-los nestes poleiros mais
Elevados onde pousam meus pensamentos,
Nestas soleiras das quebradas e nestas
Pedras onde descanso a cabeça para
Sonhar que sou vivo; mas só
Existo nos pesadelos que se apoderam
De mim, quando despertam-me,
Para a realidade da minha
Inexistência; escrevo de olhos
Fechados no escuro das trevas,
Como se a força da gravidade,
Guiasse minha mão e movesse
A caneta para gravar estas letras
Em forma de palavras nesta
Face oculta deste papel inorgânico;
Porque que esses automóveis têm
Que passar tão perturbadores, se
Meu coração está tão perturbado?
Preciso da ausência de tudo, como
Um niilista da descrença; e não
Creio em nada a não ser no
Nada e o nada é maior do que
Tudo; se raciocinei errado, ou
Não, não sei, não acordeis a
Cidade por este alarido, deixeis a
Cidade adormecida ao pé de mim.

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