segunda-feira, 6 de março de 2017

Nunca fez um ato que o tirasse do ostracismo com tendências; BH, 050302017.

Nunca fez um ato que o tirasse do ostracismo com tendências
Mórbidas, sempre nas sombras, nos recantos, nas ruas de 
Cantos, entre putas, marginais e mendigos; nunca fez uma obra
Que o restabelecesse, o resgatasse à luz, sempre nas trevas, 
No lodo, na lama, a cobrir-se de poeira e limo, a azedar-se 
Nos entulhos; e todos tinham a esperança que se projetasse 
Em algum projeto: arruinou a si e todos os projetos e abjeto,
Nunca falou com ênfase e todas as metáforas o matavam, 
Como se mata um sonho; decepcionou o meio acadêmico, 
Foi expulso de liceus, promíscuo, vivia em companhia dos 
Bêbados e dos viciados dos subúrbios das cidades, das 
Periferias, dos aglomerados, das favelas e das vilas das 
Aldeias; não parava para tomar fôlego, afogava-se no 
Fogo, matava a sede com cachaça e entrava em coma 
Induzido e alcoólico, abduzido pelas meretrizes e 
Travestis das esquinas dos bairros duvidosos, queria 
Superar Baudelaire, Bukowski e outros malditos; devia
O ar que respirava, a água que bebia, a comida que 
Comia, a mulher que possuía, obrigações e favores; não
Pagava com reciprocidade, não fazia o bem e só fazia o
Mal sem olhar a quem; chutava cachorros, até que um 
Dia, no qual, levou uma mordida na bunda e ficou 
Moribundo, sem ser vacinado; vaticinado pelo padre,
Vigário, sacristão, sentenciado em veredicto, tatuado
Pela navalha de um malandro numa noite de escuridão.

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