sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Moody Blues - Question (1970)

Coveiro desenterra-me a onda agora é; BH, 0310802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Coveiro desenterra-me a onda agora é
De mortos-vivos a moda agora é de
Zumbis mas não posso desenterrá-lo
És um morto-morto nem assombração
Nem fantasma nem alma nem espírito
Coveiro pegas logo essa pá começas a
Cavar quero dar um passeio ao ar livre
Beber um copo de sangue fresco de
Virgem refrescar a minha boca com
Saliva matinal de menina moça aquietas-te
Aí sobrenatural nem carnes tens mais só
Restos de ossos limados desconjuntados
Que se recompor a ossada o esqueleto
Ficará desfigurado a caveira deformada
Seu coveiro quando vieres para cá sou o
Que serei o teu coveiro vais sofrer nos
Meus ossos não te darei sossego
Chacoalharei todas as noites para não
Deixar-te dormir em paz engraçado
Quando eras vivo não falavas tanto
Assim agora que estás debaixo de
Sete palmos tornas-te um tagarela inda
A prometeres vingança poderias pelo
Menos perder essa sanção de humano
Mas quero voltar quero entrar na onda
Quero entrar na moda a rondar pela
Cidade sem causar impressão sem
Descobrirem que sou um morto de verdade

Perdi o teu rosto fitava-o tão infinitamente; BH, 0310802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Perdi o teu rosto fitava-o tão infinitamente
Que para não perdê-lo me descuidei
Acabei por não escupi-lo no mármore
De carrara da minha mente
Não aproveitei as tuas lágrimas
De sangue não teci teu rosto
No linho mais nobre do Egito
Era meu sonho de escultor era
A minha arte de tecelão era a
Minha obra de artesão fazer
Do lençol em que vives enrolado
Também um santo sudário mas
Desviei o olhar nalguma outra sombra
Mais súbita chamou-me a atenção
Num descuido esvaiu-se o
Infinito perdi o teu rosto no universo
És o único louco que tenho de predileção
És a única loucura de estimação que gosto
De sentir quero consagrá-lo quero
Abençoá-lo mas vem um vento bate a
Porta do quarto com estrondo bate a
Janela com força num piscar de olhos
O que era infinito diante de mim
Desmorona-se como espuma nas
Escarpas imploro outra pedra para
Sentar um bloco para trabalhar teu
Rosto recomeço o serviço faço um
Plantio novo de algodão para o linho
Nova fixação infinita desta vez
Não posso deixar teu rosto morrer
Dentro de mim não quero máscara
Mortuária quero eternizá-lo vivo
Esmerilhar neste rosto o meu olhar
Gastar nele toda a minha visão
Até que vier a cegueira da razão

É ter que se segurar para não morrer; BH, 0310802013; Publicado: BH, 01º0102016.

É ter que se segurar para não morrer
De raiva cólera ou de apoplexia com a
Velha mídia bovina dos jornalões das
Revistonas das TVs a Band por
Exemplo numa matéria a respeito dum
Deputado que não é do PT Partido dos
Trabalhadores o Donadon condenado
Pelo STF Supremo Tribunal Federal
Não cassado sessão secreta na Câmara
Dos Deputados com todos os inúmeros
Partidos conhecidos dos quais fazem
Parte os 513 componentes da Casa a
Band num ato claramente direcionado
Só mostrou o gabinete do Partido dos
Trabalhadores se é uma televisão que
Explora concessão pública a ética pede
Uma isenção ou uma imparcialidade
Ou mostra todos ou não mostra nenhum
Ou agrada a todos ou não agrada nenhum
No caso do Donadom quer passar a
Entender que foi o Partido dos Trabalhadores
Que impediu a cassação do deputado
Condenado é um jogo sujo danado
É uma má vontade com a informação
É um jornalismo de esgoto que toma
Partido com isso perde em credibilidade
Será que ainda há telespectadores que
Assistem as apresentações dum ser igual
Ao Boris Casoy? sou duvidoso muito

Amanhã quero uma poesia se ontem; BH, 0290802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Amanhã quero uma poesia se ontem
A poesia não me quis hoje a poesia
Não me quer mal me quer bem não
Me quer amanhã quero uma poesia a
Musa nunca me deixa realizar meu sonho
Por pesadelo só me manda um poema
Que é um desmazelo se fosse vontade
Dela até hoje seria aquela estrela
Apagada ali no firmamento até hoje
Seria incompleto uma sinfonia inacabada
Um concerto ao piano que nunca seria
Executado a musa da mesma maneira
Que é cruel comigo foi cruel com
Beethoven só o deixou criar a sua
Obra-prima quando estava inteiramente
Surdo castigo maior não há penso que
Talvez a crueldade não tenha frustrado o
Beethoven que toda noite sonhava
Que ouvia que não era surdo que podia
Escutar muito bem o que compunha só
Ficava triste quando tinha que acordar
Mas ficava louco para dormir a poder
Sonhar de novo ou sonhava que estava
Acordado mesmo mas era o Beethoven
Alemão europeu duma raça privilegiada
De cérebros superiores de mentes
Brilhantes de pensadores de pensamentos
Livres poetas consagrados de lirismos
Clássicos eruditos que a musa nunca
Deixou morrer à míngua

Há assombrações nos armários que; BH, 0270802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Há assombrações nos armários que
Não queremos mais enxergar há
Sobrenaturais nas prateleiras
Nos vãos das escadas nos fundos dos
Corredores nos porões nos sótãos
Seres fantásticos entes surrealistas
Que sempre nos acompanharam
Que sempre nos atormentaram
Agora fazemos questões de ignorar
Há almas atrás das portas espíritos
Debaixo das camas a nos meter
Medo a aguçar as nossas superstições
A nos fazer acreditar nos seres que
Vivem nas sombras que se escondem
Nas penumbras a querer nos surpreender
Aquelas coisas velhas que vivem
Guardadas nas gavetas das cômodas
Que ressuscitam a nos assustar a
Trazer o nosso passado a bater à
Nossa porta como se fossem o presente
Há fantasmas nossos parceiros de
Aventuras pelas madrugadas de
Porres nos noturnos de sonhos
Gravados nos pergaminhos de
Pesadelos registrados nos manuscritos
Há Nostradamus alquimistas pajés
Xamãs sacerdotes magos bruxos
Todos com uma promessa uma
Profecia na ponta da língua
Com uma linguagem taciturna
Daquela que não foi feita para
Expressarmos os nossos sentimentos
Há uma falta de sentidos no ar
Entre os céus a terra a nos perturbar

Cabeça totalmente vazia que Rimbaud; BH, 0250802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Cabeça totalmente vazia que Rimbaud
Budelaire nada reanima tédio
Puro Proust Joyce nenhum para
Acudir-me pensamento no oco total
Ideia nem para se ter uma ideia
De importante nada que seja capaz
De impressionar alguém que se
Impressiona importante todos
Impressionam-se como os mais
Importantes uns doutros saio pela
Tangente à francesa escorrego-me
Do esgoto incólume atravesso a
Praça tão insignificante no centro
Da arena que não chamo a atenção
Do touro não distraio o toureiro
No festival de San Firmino no
Rodeio dos peões de Barretos dos
Boiadeiros só pensava na absurdidade
Que a estupidez é capaz de nos fazer
Chegar para certas coisas temos
Que ser de fato estúpidos ou não
Seremos notados temos que ser
De fato ignorantes ou seremos
Ignorados não sei porque por mais
Que tenhamos diplomas títulos não
Temos forma a nossa fórmula não
Funciona não causa efeito a
Nossa conjectura é um defeito
Sem conserto cansei de olhar para
As mesmas paredes as mesmas
Galerias cansei de olhar não vejo
Mais o azul que impressiona-me
Nem do céu nem do mar é a
Única coisa pela qual quero deixar
Impressionar-me estúpido que sou