domingo, 5 de maio de 2013

MIKIO, 145; BH, 040502013; Publicado: BH, 050502013.

Por que o lírio nunca se preocupou
Em escrever algo de mais sábio
De mais genial inteligente?
Por que o lírio nunca quis
Pensar com lucidez de espírito
Sobriedade limpidez? me
Pego aqui embriagado um bêbedo
A querer pensar para ser para ter
Olhai os lírios do campo não
Ambicionaram nada eram
Mais ricos do que o Salomão
Como é impossível olhar um
Lírio inda mais um inveterado
Ébrio apaixonado por luxúria
Prevaricador como é impossível
Observar um lírio quem quer comer
Tudo beber todas possuir os três
Estados da matéria os elementos
Os sentidos os organismos quem
Quer é se cercar de espelhos de
Refletores potentes de faróis mais
Luminosos tenho é medo dos
Lírios dos vales dos campos dos
Jardins tenho é medo da verdade
Que me mostrarão prefiro
É a verdade que os meus espelhos
Refletem preciso é das vaidades
Que os outros encontram em mim
Nunca estarei satisfeito quero mais
Imagens minhas nos meus espelhos
Nas retinas dos meus semelhantes
Ouvir das bocas os elogios
Que alimentam as minhas vaidades
Sairei numa madrugada colherei
Todos os lírios de todos os jardins
Campos vales os pisarei com os
Meus pés igual Herodes fez com
As criancinhas inocentes

sábado, 4 de maio de 2013

Não minha vida não é um éden nem vivo num paraíso terrestre; BH, 020602001; Publicado: BH, 040502013.

Não minha vida não é um éden nem vivo num paraíso terrestre
Segundo a Bíblia já fui expulso com a minha Eva gerei um edema
Uma tumefação uma inchação formada por serosidade infiltrada no
Tecido celular por castigo não meu lugar não é edênico paradisíaco
Pelo contrário é um eclipse com desaparecimento temporário total
Ou parcial do meu astro pela interposição doutro é um buraco negro
Já fiz um ex-voto deixei um quadro uma imagem de modelagem em
Cera de todo o meu corpo igual à parte que os fieis deixam em
Exposição nas igrejas católicas para comemorar uma graça
Recebida ou promessa cumprida só que até agora não recebi a graça
Nem a cura para o exutório a ferida artificial que era feita para
Provocar uma supuração permanente quem irá tirar-me do
Esquecimento? da sepultura o meu cadáver? exumar o meu ser?
Quem irá fazer a exumação da minh'alma? se viver irei com certeza
Regozijar-me manifestar grande alegria exultar de contentamento se
Viver será uma exultação minha pois quem vive exulta quem morre
Não pode ser exultante exuberante em felicidade superabundante
Em bondade animado sem ociosidade viçoso sem vícios cheio de
Alegria a derramar exuberância a gritar xô Exu larga fora divindade
Da mitologia africana sai fora espírito maligno identificado como o
Diabo nos cultos afro-brasileiros mas respeitado cultuado até pelo
FHC vulgo Fernando Henrique Cardoso que é ateu só sabe
Fazer extrusão tipo de modelagem a quente na qual o material
Metal ou plástico é expelido de encontro ao molde só que FHC vulgo
Fernando Henrique Cardoso usa merda bosta mesmo o molde é o
Povo o extrudar dele fede o que é extrudado quando FHC vulgo
Fernando Henrique Cardoso vai modelar são fezes cocô é o
Produto modelado é o único que enquanto o país afunda
Manifesta mais extroversão é tão extrovertido ri escancaradamente
Amostrar os dentes descaradamente com tudo de podre que tem
Dentro dele expande para fora no reviramento dum órgão oco de
Olho seco é do tipo de personalidade em que os interesses se dirigem
Principalmente para os fatos exteriores de falsa sociabilidade de
Falsa comunicabilidade que não pertence à essência da coisa com
Sentimento só pelo que mostra no exterior argumento extrínseco
Que chega a extremos pela mordomia vida de bom vivante é excessivo
Em afeto pelos poderosos extremoso com os corruptos corruptores mas
Tem um mérito conseguiu ser pior do que todos os generais que nos
Presidiram conseguiu ser pior do que José Sarney Itamar Franco Collor
De Mello juntos é o extremo da podridão está no ponto mais distante do
Povo está no mais alto grau de intensidade dum putrefato imoderado ao
Comer excessivo na vaidade descomedido no orgulho o pecado da inveja
Aplicado no último recurso carinho excessivo pelo poder se situou na
Extremidade oposta da verdade sem nenhum tipo de qualidade sinto que
Está na ponta no limite na orla da aflição da miséria extrema por dentro
FHC vulgo Fernando Henrique Cardoso não me canso de dizer espero
Ansioso o teu tiro de misericórdia quero estar presente na hora em que
Forem aplicar a tua extrema-unção o sacramento pelo qual se ungem
Os moribundos com os os santos óleos mais valia a nossa extremosa
Arbusto de flores ornamentais do que tu com todos os teus ornamentos
Quisera ser um extremista um partidário da doutrina que preconiza
Soluções violentas para os problemas sociais mas graças a Deus isto
Mesmo a Deus que tanto abominas sou um pacifista não um
Radicalizador do extremismo mas bem que mereces uma ação radical
Extremável que fizesse com que fosses obrigado a desvelar-te de vez
Por todas pois não existe o que se pode distinguir em ti procuro uma
Única ação pra exaltar-te não encontro só sinto o mau te extremar mal
Nem o fato de teres casado com uma mulher igual a dona Ruth Cardoso
Te enaltece não que seja um extraviador mas começo a escrever e o que
Acontece quando me dou comigo estou a falar de FHC vulgo Fernando
Henrique Cardoso alguém poderia dizer que escrevo com o tempo
Extravia o assunto mas falar mal de quem não presta é tão sedutor que
Não sei como me conter não gosto de extraviar no texto nem de
Desencaminhar ninguém muito menos perverter mas se fosse um mágico
Iria fazer desaparecer o FHC vulgo Fernando Henrique Cardoso que
Botou o país a perder permitiu subtrair fraudulentamente a riqueza
Natural da gente para de perder-se no caminho não terás como chegar
Ao destino num tribunal popular te acusaria por crime de alta traição à
Pátria por extravio de dinheiro da nação descaminho do povo brasileiro
Sumiço roubo de recursos públicos pediria pena máxima faria um discurso
Extremado insigne extraordinário um discurso exaltado de conteúdo
Veemente teor radical se estiver a ser injusto quero ser um atacante que no
Futebol ocupa preferencialmente a ponta-direita ou esquerda da linha de
Avantes que tem a perna quebrada ao meio por um zagueiro viril adversário
A ficar inutilizado para o resto da vida mas se estás seduzido não há dúvidas
Estás também desencaminhado pervertido abras o olho perdido antes que
Seja tarde voltes à raiz extraviado o povo precisa extravasar de felicidade
Não de tristeza o povo quer fazer o coração transbordar de alegria não de
Infelicidade o povo quer derramar de satisfação não de lágrimas de dor
Basta de extravazamento de esbanjador dás um basta à estroina farrista com
Dinheiro público fazes voltar a verdade que anda fora do seu lugar paras a
Mentira fora do comum que ser esquisito quer entrar para a história do Brasil
Que vergonha extravagante é um disparate ter que aguentar tal coisa que desejo
Mórbido pelo poder que farra para vender tudo com tanta extravagância parece
Que foi gerado extra-uterino numa gravidez que se realizou fora do útero abalou
A capacidade de competência de extrato estragou a substância que se extraiu dele
Em especial a aromática que não serve mais para ser empregada em indústria de
Perfumaria resumo de homem inacabado síntese de primata atrasado onde não
Há nada de puro ou refinado extrator da ganância o que extrai todo o sangue da
Nação cartucho detonado que a peça das armas automáticas lança para fora
Acabou com o nosso extrativo nos deixou sem extração parou a atividade
Da indústria até a da que extrai produtos sem elaborá-los a nossa soberania
Nacional é a extraterritorialidade americana é o princípio que pensa que tem
Sobre o nosso país a fazer aplicação extraterritorial a agir fora do território
Dela a violar o nosso nós o que fazemos achamos extraordinário esquisito
Mas ordinário normal comum a influência yankee excepcional muito bom o
Neoliberalismo aqui que é combatido lá depois de tirar tudo de dentro donde
Estava arrancar nossas raízes praticar a extração a extinção da nossa tradição
Nacionalista separar da coisa que estava integrada para ser entregada nada mais
Restará de extraível em nosso país nem nós nada restará em nós para fazermos
Pelo nosso país graças a FHC vulgo Fernando Gregor Henrique Samsa Cardoso

Vermelho, Vladimir Maiakovski, A plenos pulmões.

Revolvendo a merca fóssil de agora, 
Perscrutando estes dias escuros, 
Talvez perguntareis por mim. 
Ora, começará vosso homem de ciência, 
Afogando os porquês 
Num banho de sabença, 
Conta-se que outrora 
Um férvido cantor 
A água sem fervura 
Combateu com fervor. (1) 
Professor, jogue fora 
As lentes-bicicleta! 
A mim cabe falar de mim 
De minha era. 
Eu — incinerador, 
Eu — sanitarista, 
A revolução 
Me convoca e me alista. 
Troco pelo "front" 
A horticultura airosa da poesia — 
Fêmea caprichosa. 
Ela ajardina o jardim virgem 
Vargem 
Sombra 
Alfrombra. 
"É assim o jardim de jasmim, 
O jardim de jasmim do alfenim". 
Este verte versos feito regador, 
Aquele os baba, 
Boca em babador, — 
Bonifrates encapelados, 
Descabelados vates — 
Entendê-los, ao diabo!, 
Quem há-de... 
Quarentena é inútil contra eles — 
Mandolinam por detrás das paredes: 
"Ta-ran-ten-n-n..." 
Triste honra, 
Se de tais rosas 
Minha estátua se erigisse: 
Na praça 
Escarra a tuberculose; 
Putas e rufiões 
Numa ronda de sífilis. 
Também a mim 
A propaganda cansa, 
É tão fácil alinhavar romanças, — 
Mas eu me dominava 
Entretanto e pisava 
A garganta do meu canto. 
Escutai, 
Camaradas futuros, 
O agitador, 
O cáustico caudilho, 
O extintor 
Dos melífluos enxurros: 
Por cima 
Dos opúsculos líricos, 
Eu vos falo 
Como um vivo aos vivos. 
Chego a vós, 
À Comuna distante, 
Não como Iessiênin, 
Guitarriarcaico. 
Mas através 
Dos séculos em arco 
Sobre os poetas 
E sobre os governantes. 
Meu verso chegará, 
Não como a seta 
Lírico-amável, 
Que persegue a caça. 
Nem como 
Ao numismata 
A moeda gasta, 
Nem como a luz 
Das estrelas decrépitas. 
Meu verso 
Com labor 
Rompe a mole dos anos, 
E assoma 
A olho nu, palpável, bruto, 
Como a nossos dias 
Chega o aqueduto levantado 
Por escravos romanos. 
No túmulo dos livros, 
Versos como ossos, 
Se estas estrofes de aço 
Acaso descobrirdes, 
Vós as respeitareis, 
Como quem vê destroços 
De um arsenal antigo, mas terrível. 
Ao ouvido não diz blandícias 
Minha voz; lóbulos de donzelas 
De cachos e bandos 
Não faço enrubescer 
Com lascivos rondós. 
Desdobro minhas páginas 
— Tropas em parada, 
E passo em revista 
O "front" das palavras. 
Estrofes estacam 
Chumbo-severas, 
Prontas para o triunfo 
Ou para a morte. 
Poemas-canhões, 
Rígida coorte, apontando 
As maiúsculas abertas. 
Ei-la, a cavalaria do sarcasmo, 
Minha arma favorita, 
Alerta para a luta. 
Rimas em riste, 
Sofreando o entusiasmo, eriça 
Suas lanças agudas. 
E todo este exército aguerrido, 
Vinte anos de combates, não batido, 
Eu vos doo, 
Proletários do planeta, 
Cada folha até a última letra. 
O inimigo da colossal 
Classe obreira, é também 
Meu inimigo figadal. 
Anos de servidão e de miséria 
Comandavam nossa bandeira vermelha. 
Nós abríamos Marx 
Volume após volume, janelas 
De nossa casa abertas amplamente, 
Mas ainda sem ler 
Saberíamos o rumo! 
Onde combater, de que lado, 
Em que frente. 
Dialética, não aprendemos com Hegel. 
Invadiu-nos os versos 
Ao fragor das batalhas, 
Quando, sob o nosso projétil, 
Debandava o burguês 
Que antes nos debandara. 
Que essa viúva desolada, — glória — 
Se arraste após os gênios, merencória. 
Morre, meu verso, 
Como um soldado anônimo 
Na lufada do assalto. 
Cuspo sobre o bronze pesadíssimo, 
Cuspo sobre o mármore, viscoso. 
Partilhemos a glória, — 
Entre nós todos, — 
O comum monumento: o socialismo, forjado 
Na refrega e no fogo. 
Vindouros, varejai vossos léxicos: do Letes 
Brotam letras como lixo — "tuberculose", "bloqueio", "meretrício". 
Por vós, geração de saudáveis, — um poeta, 
Com a língua dos cartazes, lambeu 
Os escarros da tísis. 
A cauda dos anos 
Faz-me agora 
Um monstro, fossilcoleante. 
Camarada vida, vamos, 
Para diante, galopemos 
Pelo qüinqüênio afora. (2) 
Os versos para mim 
Não deram rublos, 
Nem mobílias 
De madeiras caras. 
Uma camisa 
Lavada e clara, e basta, — 
Para mim é tudo. 
Ao Comitê Central do futuro ofuscante, 
Sobre a malta dos vates 
Velhacos e falsários, apresento em lugar 
Do registro partidário todos 
Os cem tomos 
Dos meus livros militantes.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Quando entrar na fase de depauperação; BH, 01º0602001; Publicado: BH, 030502013.

Quando entrar na fase final de depauperação
For evidente meu enfraquecimento meu
Debilitamento físico juro que não quererei
Nenhum acobertamento quando o tempo debilitador
Os anos enfraquecedores o espaço depauperador
Vierem engolir-me não quererei maquilagem
Nenhuma quero receber com naturalidade a
Natureza do meu depauperamento abraçar o
Estado natural de fraqueza de debilidade
Que se abaterão sobre o meu ser não quero
Cirurgia plástica vitaminas energéticas
Pílulas de rejuvenescimento serei depenado
Pelo tempo igual ao pássaro que ficou sem as penas
Que se perdeu na tempestade igual ao ladrão
Que ficou sem o dinheiro roubado pela polícia
Não quero nenhum retoque para as rugas
Véu para encobrir o efeito depenador ficarei tal
Galo velho que a empregada depena tal a pessoa
Que entra com manha astúcia se apropriou
Dum fruto alheio procurarei livrar-me de todo tipo
De entristecimento mesmo com a dor causada
Procurarei afastar-me da lamentação da deploração
Humana é triste ser lamentador no fim da
Vida de deplorador não quero a imagem
A semelhança a sombra vulto lastimoso dirão
Para mim silhueta que deplora dirão outros aspecto
Deplorativo dirão todos porém
Não direi nada pois qualquer atentado em dizer
Algo será deploratório também neste depoimento
Espero deixar claro que espero a decadência
Sem fantasia enfeite neste testamento que com
Testemunho faço é para não cair no vazio no oco na
Opacidade que pesa em cima dos ombros assim
Esta declaração é para dar uma chance à paz e ao
Depor como as testemunhas depõem
Provar que não serei réu de depolarização
Não tenho medo do desterro da solidão não temo
O degredo solitário o exílio só o ancião é desterrado
O velho é banido o senil é exilado o membro da
Terceira idade é degredado ninguém quer o
Decrépito por perto é deportado depois que virou lixo após a
Ultrapassagem do limite da linha do tempo canção do exílio
Nesta deposição sou o depositador de mim o que
Deposita a confiança a esperança da minha
Matéria morrer antes ando depositante de que a
Força que une os meus átomos será quebrada
Antes que me quebrem quebrarei a força de
Gravidade sem sofrer a ação de depravado
O corrompido não me atingirá o pervertido
Não cuidará de mim Deus me livrará do
Perverso do malvado ao cessar antes deles os
Meus movimentos ao separar os meus elementos
Irei antes do depravador quando o corruptor
Chegar não estarei mais aqui driblarei o pervertedor
Não permitirei que o desmoralizador impeça o
Meu deprecativo a Deus neste deprecatório de
Banimento à desvalorização de basta a todo
Menosprezo depreciação causados pelo menosprezador
Aprovados com o depreciativo do desvalorizador
A pressa com que o depreciador extermina
É depreciável o depredador se anima o estragador da fé
Devastador de paixão saqueador de desejo tudo
Que pensa é o que há ou o que tem para por
Fim é a depredação é um depressor depredatório
Deprime o que já está deprimente avilta o que
Já está aviltante humilha o que é humilhante
Serei um velho deprimido uma carcaça que
Apresenta depressão abatido pelos anos aviltado
Pelos parentes humilhado pelo filhos assim é
A lei a humanidade não passa pelo processo de
Depuração não se faz uma apuração na raça
Humana é por isso que é necessária uma
Limpeza um esclarecimento velho não é
Lixo velho pode ser um depurador um esclarecedor
De histórias um apurador da verdade purificador
Da mentira o velho é um depurante depura
O passado o presente o futuro criarei uma
Deputação farei uma reunião de pessoas encarregadas
De missão especial de preservar de cuidar respeitar
O velho que todos nós seremos no final quando
Já estiver vencido pelo dérby da época a corrida
De cavalos ou em competição perder qualquer disputa
Acirrada ou esportiva entre grêmios rivais saudarei
O lorde inglês Derby que em 1870 instituiu em Epson
As corridas de cavalos serei o último cavalo
Depascente o que pasce mansamente pasta come
Se alimenta num departamento descobridor de
Mistérios achador de tesouros deparador deontológico
No conjunto de normas da médica dos que regem as
Relações dos médicos entre si com seus doentes
A deontologia parte da Filosofia em que estudam
Os princípios fundamentos sistema de moral o
Tratado dos deveres da ética profissional mostro
Neste denunciável o que se pode ser denunciado
Como o que falta ao homem ideal crio este
Denunciatório em que há denúncia de mau-agouro
Tratamento velho contra os velhos já estou desde agora
Denunciativo não é por medo covardia mas o que
Denuncia evita o crime o que fazem com os velhos
Crime hediondo sou denunciante um denunciador que
Quer desnudar descobrir a verdade despir a mentira
Tornar nu o engodo o denuamento da enganação a
Despição da ilusão a denudação da falsidade do
Dentígero denso do escuro dentiforme da boca da
Noite da formação de substância de dentificação
Confusa com a gengiva em decomposição ordinária

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Derramas espalhador de caos podador de árvores; BH, 01º0602001; Publicado: BH, 020502013.

Derramas espalhador de caos podador de árvores
Fazes a tua poluição derramador de gases venenosos
Matas a natureza morto continuas com o teu derramamento
Mórbido teu derrame de sangue a derramar infinitos
De impurezas no universo segues no teu derranco fúnebre
A acelerar a alteração dos alimentos a dos licores pior
Do que a que é feita pela ação do ar vens com teu derranque
Funesto sobre os cadáveres abandonados nas derrapagens
Das estradas meu corpo derreado não sou meu meu físico
Cansado não é meu o inferno exausto que espera a minha
Matéria é saber da quantidade de vermes que brigarão por
Minha carne podre isto não deixa-me abatido este derreamento
Não me pegará prostrado muito pelo contrário este cansaço não
Mata em mim o meu ser quando digo que tenho medo
De morrer é pelo medo de morrer o ser não onde o que
Habita quando onde sou habito ruir cabe-me derregar em
Outras palas abrir melhores novos regos para receber
Escoar minhas almas meus espíritos como se fossem
As águas fluviais meu corpo é derrelito meu corpo é
Abandonado por mim desde já meu corpo é desamparado
Devoluto é um corpo derrengado manco um corpo
Náfego rengo torto mas é nele que habitam meus eus
Meus entes minhas entidades os elementos o
Movimentos os simulacros que habitam em mim o único
Medo é o de derretedura do corpo que tenho é o do lado de dentro
É o derretimento das entranhas a sensibilidade doentia da
Medula melindre na coluna cervical é ter derretido
Liquefeito dissolvido o líquido que corre dentro da
Minha coluna é ter evaporado como o ar que se
Derreteu ou o apaixonado que perdeu a fé por desvanecimento
Vulgar afetação na hora do meu derrubamento quero
Cair forte espero que não seja qualquer derribamento assim
Que me fará cair espero não ser uma derriça socrática
Que saiba derriçar ao vencer na contenda a enterrar a
Caçoada sofista não considero-me afetado meloso
No falar oferecido em qualidade não sou namorador
Dos desejos nem derriçador da riqueza o namorado ou
A namorada que no namoro só visam a superficialidade
O derriço da manifestação afetuosa exagerada ou só a
Beleza exterior terá um amor derrisório escarninho zombador
Antes de pensar em teu desmoronamento sejas antes de
Mais nada um bom a derrocada é natural só será na
Verdade uma ruína uma degringolada ou uma derrubada
Com o que de acordo fazes em vida o que caiu por
Terra foi o teu corpo o arruinado em pó desmoronado
Tal areia derrocado completamente foi o teu corpo
Não tu não serás se quiseres o derrocador de tua
Natureza o destruidor do teu ser o arrastador para os
Pântanos de tua alma nem o desmoronador de teu espírito
Terás um dermoide ou um quisto na pele geralmente
Sobre o cóccix um lugar sacro terás um tumor que contém
Elementos da pele ou do dermoblasto parte do memblasto
Da qual se desenvolve no dermo na derma ou mesmo
Dermato onde se via a dermite a inflamação da dermatite
O teu composto dérmico pode ser de qualquer cor ou de
Todo teor dermatológico não importa o teu dermato se
Terás dermatocarpáceas família de líquenes
Dermatocarpáceo por fora de ti tudo será derivável será o que
Se pode derivar sofrer derivação provável tudo será efêmero
Derivativo quimérico derivatório já a tua mente
Deverá ter de derivante a virtude o que se deriva a razão
O teu derivado mental não poderá ser mera palavra
Que se deriva doutra uma pedra a formar uma
Pedreira um produto maléfico que origina outro de
Pior composição ainda tua mente não deverá ser
Como o mau originado do mau o ruim a provir do
Ruim: não nunca jamais assim longe da deriva
Não ter o desvio de embarcação ou aviação por efeito
Corrente aquática ou aérea longe de desgoverno
Como o dum veículo um dereístico pensamento que não
Corresponde à realidade bem como um dereísmo um estado
Mental de fantasia sem uma sujeição de lógica uma
Experiência dos fatos reais não devem deputar qualquer
Ação vinda de ti por menor insignificante que seja

Carlos Drummond de Andrade, Grande Mundo.

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
Por isso me grito,
Por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
Preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
As diferentes dores dos homens,
Sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
Num só peito de homem… sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
Tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
Tão calma! Vai inundando tudo…
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
Como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
Desaprendi a linguagem
Com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
As sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
Países imaginários, fáceis de habitar,
Ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
Trouxeram a notícia
De que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
Entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
Entre a vida e o fogo,
Meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

Feliz de quem pode mostrar um trabalho; BH, 0190502001; Publicado: BH, 020502013.

Feliz de quem pode mostrar um trabalho
Uma obra tem a coragem de tentar conseguir
Num espaço tão difícil quanto é hoje a luta pela
Sobrevivência feliz de quem tem uma profissão
É um artesão sabe fazer com a mão o pão o chão
O grão feliz de quem não diz não em vão infeliz
De quem diz sim assim ao pervertedor ao corruptor
Ruim desmoralizador chinfrim que com qualquer
Vento desmonora facilmente segue desmonoradiço
De ânimo perdido sem desmolir os muros de dentro
De si em desmurar a desnacionalização que querem
Impor à nação meu Deus não sei não meu bem também
Não pois o desnalgado desancado de nádegas pequenas
Desnarigado tal ao indivíduo a quem falta o nariz ou ao 
Que o tem excessivamente pequeno ou a alguém que o
Quis cortar, arrancar desnariga vide a inquisição a
Desnasalação letal a denalização fatal o desnasalar
Terminal sem deitar uma nasalação explicativa ao perder
A nasalidade natural a lua pôs banca pões uma também
Se se diz ao desnasalizar real igual disse Ênio Moritus
Antiquis res stat romana viris que se Roma existe é
Por seus homens seus atos o Brasil está a deixar de
Existir por falta de homens de atos presteis atenção se
Algum político do PSDB Partido da Social Democracia
Brasileira comparsa de FHC vulgo Fernando Henrique
Cardoso Aécio Neves outros entreguistas do PFL Partido
Da Frente Liberal de ACM Antônio Carlos Magalhães
Francisco Dorneles Paulo Souto demais fisiologistas se
Algum político do PPB Partido Progressista Brasileiro
De Paulo Maluf imagineis Paulo Maluf a quem FHC
Deu margem para falar mal dele na mídia se ainda do
PTB Partido Trabalhista Brasileiro consegue ser eleito
Nas próximas eleições de 2002 poderemos assinar nosso
Atestado de óbito o do Brasil presteis atenção não vos
Deixeis enganar políticos desses partidos só querem nos
Roubar político bom honesto milita em partido bom
Honesto esses aí não se preocupam nem com as nossas
Águas nem com as nossas energias sou rio tu riachos ele
Lago nós oceanosvós regatos eles riacham sou lago tu
Lagoas ele mar nós corregos vós açudes eles cachoeiram
Salvemos nossas águas das mãos de corações desertos
Que querem nos desmastrar tirar nossos mastros desfazer
Os laços da fita de nossa esperança querem nossa desnatação
Acabar com nosso leite tirar nossa gordura tal o desnatar
Um leite ao transformá-lo vagabundo para vendê-lo barato
Por estar doente pretendo esmiuçar-me fazer o mesmo ao
Esmiuçar meu ser sem querer saber o que o do radical leva
No acento agudo nas formas rizotônicas a minha vida não
Melhorará desmiuças a tua também não então em que evoluirei
A saber essas regras? já a desmilitarização a ação de desmilitarizar
De licenciar a tropa pode me interessar o militar não faz nada
Para engrandecer a minha cidadania não impede o total
Desrespeito da minha soberania não combate nem acaba com
O tráfico de armas o de drogas muitas armas apreendidas com
Traficantes com policiais criminosos militares bandidos que
São desviadas das própria forças armadas voltam aos crimes os
Que não impediram a destruição da Amazônia a dizimação dos
Índios ganham altos soldos status poder influência de graça
Sem prestar um único benefício ao povo à nação ao país ao
Brasil é melhor acabar fluir pelas ondas iguais as da espécime
Das desmidiáceas família de algas a todo desmidiáceo a
Relativo perdoeis-me a desmesura a falta de cortesia a
Indelicadeza mas quando sinto meu povo no sofrer nas
Mãos de bandidos assaltantes nas mãos de sequestradores
Ladrões nas mãos de políticos corruptos de presidente
Desmerecedor vice indigno onde o que impera é a corrupção o
Lucro fácil a maracutaia a mordomia a mamata a jogatina o
Povo não tem um amparo contraditador? não ter um caráter
Desmentidor para fazer um desmembramento um desligar um
Desmembrar dos membros desse governo enquanto inda houver
Tempo de salvar o Brasil contrário será o caos se não houver uma
Desmembração urgente a separação dessa parte desse todo de
Tudo que comandam será a nossa degeneração a partilha a divisão
Dos nossos bens serão os nossos desmembramentos próprios o
Definhamento da Pátria o raquitismo dos valores dos princípios
Nossa adjetivação de povo desmedrado será de povo definhado
Raquítico mirrado enfezado que nunca procura desmelindrar-se
Dar satisfações ao desmelindrar ao desagravar pela falta de saúde
Educação transporte salário digno direitos sociais adquiridos