domingo, 5 de maio de 2013

MIKIO, 145; BH, 040502013.

Por que o lírio nunca se preocupou
Em escrever algo de mais sábio,
De mais genial e inteligente?
Por que o lírio nunca quis
Pensar com lucidez de espírito,
Sobriedade e limpidez? e me
Pego aqui, embriagado, um bêbedo
A querer pensar para ser, para ter;
Olhai os lírios do campo: não
Ambicionaram nada e eram
Mais ricos do que o Salomão;
E como é impossível olhar um
Lírio, inda mais um inveterado
Ébrio, apaixonado por luxúria,
Prevaricador; como é impossível,
Observar um lírio, quem quer comer
Tudo, beber todas, possuir os três
Estados da matéria, os elementos,
Os sentidos e os organismos; quem
Quer é se cercar de espelhos, de
Refletores potentes, de faróis mais
Luminosos; e tenho é medo dos
Lírios dos vales, dos campos, dos
Jardins; tenho é medo da verdade
Que eles me mostrarão; e prefiro
É a verdade que os meus espelhos
Refletem; e preciso é das vaidades
Que os outros encontram em mim: e
Nunca estarei satisfeito, quero mais
Imagens minhas nos meus espelhos
E nas retinas dos meus semelhantes;
E ouvir das bocas deles os elogios
Que alimentam as minhas vaidades;
E sairei numa madrugada, colherei
Todos os lírios de todos os jardins,
Campos e vales e os pisarei com os
Meus pés, igual Herodes fez, com
As criancinhas inocentes.

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