quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gostaria que toda frase que criasse fosse interminável; BH, 0100102000.

Gostaria que toda frase que eu criasse fosse interminável 
E infinita igual ao horizonte; gostaria que toda palavra de 
Composição de letras que lanço neste papel, fosse eterna 
Igual ao firmamento, profunda igual ao mar, e refletisse o 
Azul inabalável que nos envolve nos dias de pureza e paz;
E que meu pensamento à noite fosse claro,
Tanto quanto a luz do luar e de dia
Brilhasse com a mesma intensidade da luz do sol;
E que a felicidade para mim um dia,
Não fosse inatingível igual as estrelas do céu;
Que o amor não fosse uma utopia e pieguice
E a paz um detalhe a ser explorado politicamente;
Não perco o sonho de ver a humanidade,
Livre da miséria e desgraças da guerra,
Da fome e dos campos de refugiados e perseguidos;
Não perco a ideia de que a liberdade,
Pode ser a universalidade da verdade do pensamento
E que a realidade do homem mude com ele,
Para a melhoria da nossa sobrevivência;
Sei que existe gente que sabe e vê que tudo está errado,
Que o próprio mundo também está errado
E o mais triste é constatar que essas pessoas
Nada fazem para salvar e mudar o mundo;
Pelo contrário, elas contribuem com a destruição,
Contribuem com a devastação e o extermínio,
Com a poluição e as queimadas cruéis e criminosas;
São essas pessoas que precisam de ser conscientizadas,
Pois muitas delas ainda detêm o poder nas mãos
E usam o poder para disseminar o mal;
A industrialização predatória e mortal,
A globalização econômica mesquinha
E o neoliberalismo selvagem e desequilibrado;
Detesto às vezes envolver poesia com política,
Mas é tão grande a excitação que acabo,
A meter os pés pelas mãos e a misturar tudo;
Entro em verdadeiro estado de transe,
Que acabo por misturar alhos com bugalhos;
E às vezes até penso que não fui que escrevi,
Mas que psicografei os textos que escrevo a mando
De algum espírito escritor que me manda do além,
Ou quem sabe do aquém, ou de onde esteja;
E tenta a se comunicar com o nosso mundo,
Através das minhas parcas possibilidades de escritor;
Gostaria que todo o verde de novo
Tomasse conta de toda superfície da Terra,
E fico feliz quando a natureza reage contra o homem;
Fico na expectativa das reações da natureza,
O homem precisa aprender a respeitá-la;
Tem que parar de sair por aí a pensar,
Que pode cortar todas as árvores das florestas,
Abrir crateras no chão e fazer testes nucleares;
O homem tem que parar de morrer de sofrimentos
E procurar a vida sem o sofrimento;
E cada ato insensato e desequilibrado e inconsciente,
Acaba por se refletir no comportamento desenvolvimentista
De todos nós que acabamos por padecer e pagar
Um preço de que não temos nada a dever;
E porém quero pagar o meu preço,
Quero pagar por cada átomo que me forma,
Quero pagar por cada gota d'água natural que bebi
E por cada molécula de ar que respirei;
E estou disposto a pagar o meu preço,
Já estou resignado em aceitar o que o
Universo se dispor a me cobrar;
Quero deixar a minha plena parcela,
Quero deixar todo o meu completo legado,
Deixar como herança e herdar o que me restar;
E mesmo que não seja reconhecido,
Mesmo que não seja compensado com a
Minha falsa inteligência e pobreza de espírito,
Ficarei satisfeito com a minha passagem,
Ficarei satisfeito com o que tiver acontecido comigo;
Só o fato de superar o medo do destino,
Só o fato de sair da covardia pessoal
E não cometer injustiça e nem covardia,
Já é para mim um grande feito humano meu,
Já é para mim um grande feito de homem
E de masculino sem precisar provar nada;
Gostaria que o meu pensamento fosse ilimitado,
Minha imaginação divinal e gloriosa,
E tudo que fluísse da minha mente,
Nunca tivesse no final a palavra fim,
Como num filme, ou numa novela,
Num conto, ou numa história, ou num ser;
Dói em mim é não sair do casulo,
Não me lançar no boom do big-bang,
Ficar a esperar preso aqui neste solo,
Sem atingir a maioridade racional,
Sem atingir o ápice da ética e da razão;
O âmago da inteligência consciente,
O pícaro da percepção inteligente;
O que me dói é não me descobrir,
Não me achar em mim e nem me encontrar;
É ter vergonha de acreditar na elevação do moral,
No meu conteúdo e em mim próprio;
O que me dói é às vezes perder o positivismo
E deixar o negativismo me negar em pouco tempo.

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