segunda-feira, 13 de maio de 2013

Morrerei de vergonha se um dia descobrires tudo; BH, 030202000.

Morrerei de vergonha se um dia descobrireis tudo,
Tudo que está feito e dito aqui e não quero
Que ninguém fique a saber e depois venha me
Ridicularizar, me chamar de piegas, medíocre
E tudo mais que a humanidade sabe fazer para
Derrubar uma pessoa dos seus sonhos e ideais;
Morrerei de vergonha, pois nunca sei o que acontece
Comigo e nem nunca sei o que me leva a passar
Horas e horas, tarde e tardes a escrever coisas que
Não me levarão a lugar nenhum e nem me
Ajudarão a sair dos buracos da sepultura em que
Me joguei e não saio por mais que me pedísseis;
Lancei-me na sarjeta e na sujeira, virei resto
E do resto me alimentei e quando percebi,
Pereci de alma e espírito e pensamento; morri,
Matéria e físico, de sangue e carne e osso,
De desprezo e desprezível, abandonado e só;
Sozinho a chorar e a me lamentar, a me esconder
Das claridades da luz, a me recolher aos meus
Recônditos sórdidos, a me estabanar de dor,
E a pedir a quem passasse que me jogasse
Um resto de qualquer coisa que estivesse a sobrar,
Das sobras que ele estava a levar para alimentar
Os porcos dos chiqueiros do fundo do quintal;
E se alguém passava por mim e estendia a
Mão mendiga de mendigo andrajoso, coberto
De pústulas e pedia com meu bafo vergonhoso
Um tostão ou um pedaço de pão e pedia
Até às crianças que passavam diante de mim
E corriam desesperadas em busca de segurança
Das mães; e pedia socorro e ajuda para que
Elas não tivessem mais medo de mim;
Até hoje fico triste por assustar as crianças, até
Hoje fico desesperado quando alguma criança
Sai a correr de mim, a procurar a segurança e
A esperança dos braços dos pais e juro que luto,
Juro que luto por deixar de ser assim, juro
Que luto por sair desta forma horripilante;
Só não encontro respaldo, não encontro amparo
E pra me destruir, as fileiras aumentam a olhos
Vistos, o número dos que querem se apoderar de
Minhas cinzas, do meu pó, dos meus restos mortais,
Aumenta cada vez mais e já não tenho
Mais nada para dividir por tantos cadáveres sedentos
Por um pedacinho de terra, um pouquinho de
Terra, para jogar por cima das carnes apodrecidas;
E fujo deles e eles fogem de mim e nós agora
Fugimos uns dos outros, por já estarmos abertos
Com as veias escancaradas, os corações dilacerados;
O olhar dilatado a querer absorver todo o universo,
Prender todas as imagens nas retinas, guardas
Em algum arquivo o que puderes servir de exemplo,
De paradigma, de paradoxo e de utilidade;
Da inutilidade, da futilidade que tentamos
Esconder na internet. no telefone celular,
No satélite artificial e em todo o vazio do lugar;
O vazio que não soubemos preencher, o vazio
Que nos deixa à mercê das ventanias do ciclone,
Da fúria do furacão, da voracidade dos vulcões;
Meu Deus e não quero apelar por Ti, teu amor
Já é demasiado grande para comigo e sei
Que nem mereço estar a chamar-Te assim de Tu;
Tua bondade é demasiada só por deixar em
Germinar ser do calibre deste que Te fala aqui;
Porém, espero ser restabelecido à condição de animal,
Espero ser restabelecido e possa sentir orgulho da
Obra que Tu fizeste e deixaste usufruir da mesma
Luz que usufrui as flores e do mesmo ar que a
Natureza desfruta e tem maior prazer de purificar;
Só eu mesmo é que venho manchar o quadro,
Venho derramar tinta sobre a pintura e estragar
Com a minha presença a textura da beleza que fizeste;
Porém e quero me restabelecer perante a Ti,
Quero me restabelecer do meu mal e a partir de
Hoje, ser o ser do qual Tu orgulhes de ter criado;
A parte podre que há em mim, retira-a e
Lance-a às chamas do fogo da fornalha;
A parte doente, cura-a e restabeleça a saúde
No restante que falta para fazer jus à Tua semelhança;
E muito obrigado porque Tu vais me guardar
E vais guardar também o desabafo que faço neste
Fragmento, para que ninguém nunca fique a
Saber a vergonha que sinto de ser tão fraco;
Tão pequeno e inútil, tão vil e imprestável,
Não quero mais ficar nesta noção de perdido:
Se estou acordado ou a dormir, se estou vivo
Ou morto, se estou a sonhar ou a ter pesadelo;
Quero só agora ter a noção de vida que Tu
Deste-me e que eu tenho que usufrui-la e com
O tempo oferecê-Lo pela oportunidade de viver;
Eu acordei e senti que vivo, percebi que meu
Coração batia e que a minha cabeça não latejava mais ;
Percebi que dormia e que sonhava que escrevia e
Deus abençoava o que escrevia, pois a inspiração
Vinha totalmente d'Ele, do Espírito Santo; e
Acabou-se em mim tudo que era fruto e
Motivo de asco e de náusea e de ânsia;
Acabou-se a depressão extrema, a angústia,
A agonia, que me arrastava ao caos; e
Se acabou todo o tipo de medo e de fraqueza
E a minha superficialidade, Ele a elevou
Ao mais alto dos céus, a tornar-me sublime
E profundo, sagrado e não mais profano;
Deus meu, Deus meu, que não me abandonaste,
Que não me nagaste a mão e me deste corda,
Deste força ao meu coração e varreste de mim,
Varreste para longe o lixo que se acumulava
Nas minhas entradas e saídas a me impedir
De encontrar as respostas e as soluções que só agora
Descobri que todas elas estavam bem perto e 
Era o que não as percebia por minha grande
Insensibilidade de sentimento emocional e percepção.

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