quinta-feira, 18 de abril de 2013

Patagônia, 1155, 3; BH, 01901202011.

Os morros choram encharcados das ressacas
Dos deuses festeiros; beberam todo o vinho,
E em revolta com o fim do vinho, em
Turba, transformaram todas as águas dos
Mananciais do Olimpo, em vinho; e beberam
Mais e mais vinho, comeram carneiros
Assados com temperos de olivais e hortelãs;
Amaram as ninfas, as ninfeias e as ninfetas,
Fizeram orgias pelos tabuleiros, enseadas,
Pradarias e falésias; geraram montanhas,
Montes, cordilheiras, picos, cimos, cimeiras;
Caíram dos cumes e cumeeiras, rolaram nas
Pedras das pedreiras, nas rochas dos rochedos
Dos despenhadeiros, nos sais das salinas, nas
Areias das dunas, nas ondas dos mares; se
Penduraram nos relâmpagos, nos raios e nos
Trovões; fizeram tempestades nas torres dos
Conventos, igrejas, mosteiros, castelos
E demais casarões assombrados da idade média;
Brincaram com naves espaciais, do jeito que
Brincávamos com barquinhos de papel,
Nas correntezas depois dos temporais; riram
Dos vendavais, esses deuses bêbados, debochados, que
Desprezam fieis, ignoram templos e altares
Erguidos a eles e fazem ouvidos de mercador
Às orações, às rezas, às cantorias, e aos hinos
De louvores em suas homenagens; esses
Bêbados deuses, menosprezam a fé, e a religião
E abominam milagres; são sádicos, detestam
Curas de seus seguidores; quereis vê-los também
Bêbados e a beberem todo o vinho? quereis
Vê-los embriagados? detestam a sobriedade
E amam a loucura, a esquizofrenia e a
Insanidade dos seus devotos; choram quando
Eles estão alegres e fazem os morros chorarem;
E de ressaca incomodam mortos nos cemitérios.


Pretendo escrever até o fim dos meus dias;
BH: 0110702000;
Publicado: BH, 0280402013.


Pretendo escrever até o fim dos meus dias,
Num projeto de escrever sem projeto, num estilo de
Escrever sem estilo; e sem ser aristoso e sem deixar
Pragana, como a barba da espiga de milho; e sem ser
Aristado e teimar, até adquirir a luz do pensamento
Aristotélico, do filósofo Aristóteles, grego do século V
AC; e até adquirir a doutrina conforme o partidário dele;
E usar a aritenoide em forma de taça, como o nome
Do par de cartilagens da laringe, situadas à direita
E à esquerda da linha mediana e que guiam
O alimento e evitam a sufocação; eu, porém,
Quero inverter o caminho e quero ser justamente
Sufocado pelas letras e pelas palavras das frases; e
Resgatar o ariti, o indivíduo dos Aritis, nome que
Dão a si mesmos os índios Parecis, e ao dialeto da
Língua pareci; e ser pajem da aritmancia, ser
O aritmante que vai inverter a verdade,
Na suposta arte de adivinhar por números na
Ciência da aritmancia, tal o indivíduo dado
À prática, o aritmante e conhecedor aritmológico,
Da ciência que se ocupa dos números e da
Medição das grandezas em geral, segundo a
Classificação de Ampere na aritmologia;
Vou padecer por todas estas falhas, por todas
Estas faltas, estes erros desconhecidos, ocultos
E disfarçados sob todas as formas de
Palavras desconexas que do aritmo grego arithmos;
Sem número suficiente para definir toda
Aritmografia, que é a arte de exprimir
Por sinais convencionais as quantidades cuja
Composição se conhece, na poesia fora do
Aritmográfico, perdido no instrumento para sanar
Mecanicamente operações aritméticas, inventadas
Por Gattey, matemático francês, em 1811; que hoje
Desencadeou na máquina de calcular,
E o dia em que me ver armentoso, possuidor
De muitos rebanhos, de armezim e tafetá de Bengala,
Cada armentio uma intelectualidade; uma aquisição
Armental do saber e do conhecimento, como
O armelino, o arminho mamífero vestido de armelina,
A pele branca de alma como a neve, imaculada;
O fiel de armazém, encarregado da cultura
Armazentista, zeloso e criativo, que não
Conhece o medo de ousar e afasta a
Covardia de criar seja lá  que for e
Mostra ao mundo a cria e a criatura;
Já trago armazenado dentro de mim o motivo
Da vontade, já tenho guardado o ideal de
Continuar, mesmo sem saber o caminho, para
Não cair no armazelo; na armadilha de pegar
Ignorantes, na espécie de rede de pescar incautos
Navegantes não acautelados, imprudentes; e cegos
São os ingênuos e crédulos que afogam nas trevas;
E depois que chegar o dono e o proprietário de armarinho
Que só quer vender vendas para os olhos, cabelos para
As cabeças e dentes para as bocas; línguas e narizes no
Primeiro armarinheiro de partes e de membros
De órgãos de cadáveres humanos insepultos;
E já que não se pode acabar com a violência,
Com um bom aumento do salário mínimo, é
Fazer pelo menos uma armaria; e uma arrecadação
De todas as armas, guardá-las em arsenal;
E os proprietários da arte heráldica, responsáveis,
Não passarão as armas às mãos criminosas; e
Assim no fogo dianteiro de uma viatura, desarmar,
Descarregar o armão, a carreta que reboca as peças
De artilharia, deixarão de ter utilidade;
Sobrarão só as papas para abrir o apetite aos cavalos;
E ao armar o Armando que virou nome de homem,
E tudo que diz respeito a armamentos, todo conteúdo
Armamentário ser esvaziado da alma do homem; e é
Despir as armaduras, as fasquias de madeira para
Equilibrar os arcabouços dos navios de guerras; e
Derrubar as armadoiras e ninguém mais falará:
Eu estou armado, provido de armas e munições, e
Munido e preparado para matar; viverás sem
Ser necessário andar acautelado, prevenido e
Disposto só a viver em paz ao dar um basta
A todo tipo de violência, brutalidade e dor;
O arlesiano de Arles, na França, penso que vive
Em calma e em tranquilidade, pelo menos
O nome nos faz imaginar assim;
Que estamos mais para arlequíneos, os animais
De cores variadas de espírito arlequinal, que
Só quer saber é do carnaval, como o aritmômetro
Só quer saber de números; e a deixar a qualidade,
A espiritualidade e toda luminosidade ser
Absorvida pelas trevas e penumbras eternas;
Alcance uma vela com a mão e acenda-a
No teu coração, para tua alma, mente,
Memória, cabeça, cérebro, ser, tu;
Confessei antes de perder o que nunca encontrei,
Nunca procurei nada, e nem nunca soube
Querer; só tenho vergonha e pudor provincianos;
Amarrado pela religiosidade, censurado
Por todos, ignorado e não aceito, por mais
Que tento passar uma boa aparência; e
Não conseguirei chegar ao meu objetivo,
Não trarei interesse e nem atrairei
A mim os louros de minha vã literatura;
Que a injustiça seja feita e que nunca
Venha à tona o que quer que seja que
Esta mão cega tenha deixado registrado
Em qualquer pedaço de papel inocente,
Indefeso e desamparado sem poder reagir,
Com a violência das letras que o ferem de morte,
Que abrem feridas, chagas na face branca,
De cada folha perdida pelas madrugas
Desta vida inútil.

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