quinta-feira, 18 de maio de 2017

E a pena não tem pena de mim; BH, 0140502017

E a pena não tem pena de mim e faz-me cumprir
Pena a escraviza-me à mão algemada ao braço
Que, corre loucamente de folha em folha de 
Papel, presa em toda sua margem, em todas as 
Suas linhas, igual todo limão é azedo; e quero 
Um soneto e quem diz que aguento tal carga
E é muito quebranto, muito sarampo e taquara 
Poca nas queimadas inclementes da luz do sol; 
E o rosário da minha avó jaz em contas e sem 
Contar as vezes que, rezou-me para caxumba,
Espinhela caída, cobreiro e dordói; e haja pinga
Para a sede sem fim da minha avó dentro de 
Mim, cigarro de palha, rapé forte e fumo do 
Bom para mascar; missa para assistir e padre 
Para perturbar, dona Naninha está caída na 
Calçada, com um travesseiro debaixo da 
Cabeça e quantas vezes escutei a frase, até 
Nas horas de provas, tua avó está no portão a
Esperar-te; e lá íamos nós, minha avó e eu, 
Pela Rua Francisco Sá à fora, ela a cambalear e 
A querer tomar mais umas e sem dinheiro algum, 
Tomava todas e não sabíamos como arrumava
Dinheiro para beber tantas pingas; eram das 
Rezas e das orações que, fazia ao benzer as 
Putas dos becos e das estações; e eu as 
Bolinava desde menino, com as mãos cheias
De dedos em suas saliências quilometradas,
Pelas estradas das gonorreias e demais 
Doenças venéreas; não é qualquer menino
Que, teve uma avó igual a que eu tive não;
Só menino raro, especial e em caso não 
Muito normal; e dava mais trabalho à minha
Mãe, do que minha mãe à ela e fez com 
Que eu fosse um bom neto e um filho 
Muito mais trabalhoso do que os outros.

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