segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Meus fantasmas universais meus espíritos; BH, 0110802013; Publicado: BH, 02801202015.

Meus fantasmas universais meus espíritos
Celestiais minhas almas eternais também
Sou um pseudônimo de Fernando Pessoa
Sou um dos menores que Fernando criou
Inda na infância a brincar nos quintais das
Casas das tias a passear às beiras do Tejo
A correr pelas aldeias castelos medievais
Naus portos Portugal minhas odes imaginárias
Sou uma ode psicografada pelo vate hora
Sou um poema de Alberto Caeiro hora
Uma poesia de Ricardo Reis ou um soneto
De Álvaro de Campos um escrito de
Bernardo Soares minhas chuvas oblíquas
Meus rebanhos preferidos estou inserido
Neste rol de consentidos são tantos
Membros importantes elevados dessa
Confraria todos a agradar a musa poesia
Cada um quer uma obra-prima mais
Bela a consagrar cada um quer uma
Obra de arte mais genial a oferecer mas
O poeta é um fingidor a poesia o conhece
Muito bem mesmo quando o bardo tenta
Enganá-la ao usar um pseudônimo
Fica mais exigente alia-se ao poema ao
Soneto quer algo diferente não aceita
Mais o que é normal manda a cambada
A vasculhar constelações galáxias
Aglomerados  a procurar uma gala uma
Gaia que sejam a ciência do bem do
Mal onde ode a poesia quer reinar elegia ai 
Haikai daquele que falhar ai do profeta que
Não vaticinar pseudônimo ou não

domingo, 27 de dezembro de 2015

Solitário deixo todos os meus escritos; BH, 0110802013; Publicado BH, 02701202015.

Solitário deixo todos os meus escritos
Solitários na solidão nestes escritos
De solitário de preso na solitária deixo
Sangrar o meu coração abri a montanha
Lá depositei na lavra letra por letra
Lá guardei no veio palavra por palavra
Nem Maomé retirará a montanha do
Lugar para garimpar nas minas onde
Lancei estas escrituras profanas não
São textos sagrados não são pensamentos
Consagrados são reminarias de ermitão
Reminiscências de escritas de eremita
Não acredito que alguém entrará no
Seio da pirâmide violará o sarcófago
Para desvendar estas linhas enganosas
Não creio que um dia a luz incidirá
Nesta cova dentro deste sepulcro
Ressuscitará estes ossos fósseis há
Muita terra por cima desta solidão há
Muito chão debaixo destes pés
Quanto mais alta for a montanha
Mais ânimo o solitário tem a subir
A encontrar uma loca para mudar de
Pele a aquietar-se prende a respiração
Por longos períodos assossega as
Batidas do coração o sangue circula
Em marola lenta o corpo em repouso
Completo como se cadáver fosse
Lentamente o espírito fluiu ao
Universo num passeio onde enfim
A solidão é impossível

Breve é a vida o tempo é eterno; BH, 0110802013; Publicado: BH, 02701202015.

Breve é a vida o tempo é eterno
De vez em quando penso que há os
Que pensam que até o tempo é breve
Que a vida é que é eterna a vida é tão
Pequena tão pequena que para
Fazê-la crescer nem com milagres
Se consegue além do mais se
Perde muito tempo sem se viver
Com essa perda há uma ruptura
Um distanciamento uma atração
Ao contrário talvez uma repulsão
O que era para estar próximo se
Distancia mais como se tivesse livre
Da força de gravidade crescer fazer a
Vida crescer a vida ao crescer alongará
O tempo eterno crescer é o que é
Necessário à vida sem crescimento
É o mesmo que sem discernimento
Sem raciocínio sem pensamento sem
Razão sem noção sem percepção
Crescer não é a mesma coisa que
Sair do estado girino querer ser
Um touro não crescer em evidência
Consciência não se aprende assim
Não numa fábula numa crônica
Numa prosa crescer sem ser prosa
Na sombra no subterrâneo sem ser
Notado como são notadas a pequenez
A insignificância a ingratidão a
Ignorância crescer sem ansiedade
Sem angústia crescer fazer com que
Seja breve só o desprezo às coisas
Miúdas da vida

Fazeis-me sentir ódio raiva ira; BH, 0110802013; Publicado: BH, 02701202015.

Fazeis-me sentir ódio raiva ira
A sentir rancor fazeis questões em
Nadar nas demonstrações do nada
Desprezais ignorais indiferentes mas
O mundo dá muitas voltas o universo
Lava as mágoas de repente zás
Voltam em cheio às caras como
O cuspe jogado para cima podeis
Destruir um elo se houver uma raiz de
Amor um fruto uma fruta podeis até
Matar o pomar inteiro fazer queimada
Jogar as cinzas aos ventos raivosos
O amor é eterno permanecerá Fênix
Ressurgirá fazeis caso em não ter a
Alma grande teimais em permanecê-la
Encolhida anã anônima fora do eixo
Mas tudo vale a pena quando a alma
Agiganta-se não é pequena sabeis
Cada um planta o que quiser cada
Um escolhe o próprio caminho quem
Plantar bem colherá bem quem plantar
Mal foi mal lavrador não colherá o
Bom plantio há os que dizem que
Quem espalha ventos colhe tempestades
Bem comecei irado ao fim destas
Poucas linhas estou um pouco
Desafogado quero fazer crescer tudo
Em mim há algo que diminui-me
Deixa-me confuso a dar voltas ao
Redor da mesa a ir à sala a ir ao
Quintal o que quero falar não sai
Faço um volteio vão deixo mais leve
O meu coração

Bem que podia cair uma chuvinha; BH, 0110802013; Publicado BH, 02701202015.

Bem que podia cair uma chuvinha
Nada melhor do que ficar quietinho
Num cantinho a sentir o chiar da chuva
Miúda cair muita gente prefere
Outras coisas outros mundos ou
Universos há os que só querem uma
Chuvinha miúda para aconchegar-se
Mais ao coração há os que só querem
A quietude das tardes domingueiras
Agostinianas o mais é ambição ou
Vaidade ou busca duma satisfação que
Não satisfaz amanhã segunda-feira
Segundona brava começa a semana
A labuta aos que labutam a preguiça
Aos ociosos aos doentes os remédios
Que fingem curar aos famintos os
Alimentos que fingem matar a fome
No momento aos desassossegados o
Sossego esperado com os ruidinhos
Duma chuvinha miúda a cair quase
Imperceptível aos que dormem
Os sonhos não realizados pois
Sonhos realizados só aos que estão
Acordados aos vivos as propagandas
Enganosas pois amam ser enganados
Adoram os supérfluos os superficiais
Aos expectadores as personagens os
Protagonistas os animadores do fútil
Do lixo inútil aos que pensam que
Está tudo certo alguma coisa de
Errado aos que pensam que está
Tudo errado alguma coisa de certo a
Todos deixai-me aqui a sonhar
Com uma chuvinha miúda

Coçam-me a cabeça de piolhos ou caspas ou lêndeas; BH, 0100802013; Publicado BH, 02701202015.

Coçam-me a cabeça de piolhos ou caspas ou lêndeas
Pensamentos não coçam-me a cabeça preocupações
O lugar mais incômodo do mundo para uma
Preocupação se ocultar é dentro duma cabeça
Poderia fugir para qualquer outro lugar para o
Universo que é tão vasto mas não quando não
É na cabeça aninham-se no coração parece-me
Que o ser humano é o único animal que se
Preocupa mais com a vida alheia do que com a
Própria quer saber de tudo do semelhante não
Quer saber de nada de si mesmo pergunta por
Todos dos prédios das casas das ruas como um
Espião norte-americano da CIA ou do FBI
Espiona o ir vir a escutar o falar o escrever
O que o outro está a auscultar não ausculta
O coração o que mais forte que é o menos
Ouvido colamos os ouvidos às paredes
Atrás de intrigas conflitos nos escondemos
Atrás da porta ai flagrante à surpresa a
Qualquer inusitado que nos renda uma fofoca
Um fuxico do vizinho um mexerico sem
Importância ao sermos apanhados no
Desdito haja o contradito o não é nada
Disso que estás a pensar coça-se a
Cabeça de desconforto corremos às
Outras janelas indiscretas sentinelas

Às letras malfadadas antigas letras; BH, 080802013; Publicado: BH, 02701202015.

Às letras malfadadas antigas letras
Às letras que ninguém mais dá atenção
As comemos mais do que churrasco
Feijão com arroz pão as bebemos
Mais do que cerveja cachaça
Conhaque café chimarrão mutilamos as
Palavras as palavras saem das nossas
Bocas mordidas a faltar pedaços
Mastigadas ao vomitarmos as
Letras que bebemos as letras que
Comemos os nacos de palavras
Cruas os bocados de expressões que
Engolimos para um prato de papel
Sofremos a maior dificuldade da
Existência vomitamos um vômito
Que nos faz mal no prato em que
Comemos nada conseguimos
Apurar vem tudo misturado com bílis
Com suco gástrico dejeto estomacal
Não temos a coragem de meter
A mão na sujeira emendar
As letras fazer remendo nas
Palavras salvar alguma coisa da
Nossa lavra interior formalizar
Um pensamento concluir um raciocínio
Manter um diálogo um discernimento
Uma percepção uma razão ou um
Fruto da nossa intuição crônica
A prosa o texto que sonhávamos viram
Pesadelos inda saímos a mostrar
Aqueles desmazelos para o desprezo
Dos que não nos amam que não amamos