domingo, 27 de dezembro de 2015

Coça-me a cabeça; BH, 0100802013.

Coça-me a cabeça, piolhos ou caspas, lêndeas,
Pensamentos não; coça-me a cabeça, preocupações
E o lugar mais incômodo do do mundo, para uma 
Preocupação se ocultar, é dentro duma cabeça;
Poderia fugir para qualquer outro lugar, para o
Universo que é tão vasto, mas não, quando não
É na cabeça, aninha-se no coração; e parece-me
Que o ser humano é o único animal que se 
Preocupa  e se preocupa mais com a vida 
Alheia do que com a própria; e quer saber de 
Tudo do semelhante e não quer saber de nada
De si mesmo; e pergunta por todos dos 
Prédios, das casas e das ruas; e como um 
Espião norte-americano, da CIA ou do FBI,
Espiona o ir e vir e escutar o falar, o escrever
E o que o outro está a auscultar e não ausculta 
O coração, o que mais forte, e que é o menos
Ouvido; e colamos os ouvidos às paredes,
Atrás de intrigas, conflitos; e nos escondemos
Atrás da porta ai flagrante, à surpresa, a 
Qualquer inusitado que nos renda uma fofoca,
Um fuxico do vizinho, mu mexerico sem 
Importância; e ao sermos apanhados no 
Desdito, haja o contradito, o não é nada
Disso que estás a pensar; e coça-se a 
Cabeça de desconforto e corremos às 
Outras janelas indiscretos sentinelas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário