domingo, 6 de dezembro de 2015

Que raiva, meu Deus; BH, 0220702013.

Que raiva, meu Deus do céu, para que que
Tenho que pensar? que ira abominável,
O que é que me faz pensar, mesmo sem
Querer? meu Deus do céu, como como
Dói a tentativa de um estúpido pensar;
Como é doloroso o pensar de um
Ignorante; que cólera, por que não nasci
Sem cérebro, um acéfalo, um portador
De paralisia cerebral? é muita tortura para
Uma cabeça tão dura quanto a minha; não
Mereço pensar, não mereço formular um
Pensamento fácil, desenvolver um
Raciocínio obvio, acabarei por morrer de
Tanta agonia; será que terei de por fim à
Vida pela angústia que causa-me a
Incapacidade? que tédio mental, toda vez
Que quero usar um discernimento, a
Falta de percepção vira um tormento; e
Até a intuição some, e deixo de ser homem,
E passo a ser lobisomem; que raio de
Memória que vem e vai embora num trovão
De lembrança, num relâmpago de
Recordação, numa tempestade de confusão
De passado, presente, futuro; apaga a casa
Toda, e deixa-me no escuro, e não coloco-me,
Não marco-me, não registro-me; e por mais
Que queira me ver, de mim só a poeira
Dispersa no amanhecer.

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