domingo, 20 de dezembro de 2015

Como sou imprestável; BH, 0280702013.

Como sou imprestável, deixei meus amigos
Morrerem sem mim, não morri por meus 
Amigos, não fui à morte deles, não os 
Presenciei na última hora; meus bons 
Companheiros que foram sem mim, onde 
Estava eu, quando mais precisáveis? na 
Certa estava nalguma farra, a beber com 
Alguma puta, a resfolegar nas carnes 
Podres dela, e meus bons companheiros à
Morte; que destino o meu, de ser ausente,
De ser omisso, um mau companheiro, um
Falso amigo, ao não morrer no lugar dos 
Camaradas; que mau doador que fui, não
Doei o sangue, não doei a carne, não doei a
Vida, não doei nada a quem perdia tudo; 
Perdoais, meus verdadeiros amigos, 
Companheiros de jornada, camaradas de 
Luta; perdoais este que ficou aqui a 
Padecer, este que deveria ter ido e não foi;
De repente tão imprestável, que até a morte o
Despreza, meus colegas, esperai por mim,
O universo é vasto, e quero fazer o que há 
De mais vasto, o meu coração; e quero aqui
Dentro do peito, poder depositar-vos em 
Urnas de diamantes, guarda-vos em minas 
De ouro, prata e platina; quero escupir-vos
Nestes blocos de mármore, que formam
As cadeias rochosas do meu pendão.  

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