quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Quando a macabra passa; BH, 0210702013.

Quando a macabra passa, com seu
Designativo de dança, a representar
A morte, a arrastar atrás de si,
Pessoas de todas as idades e condições;
Quando o machado macabro desce,
Fúnebre, a desfilar lugubremente,
A nos fazer ter que afeiçoar com as
Coisas tristes da vida; quando o
Tempo nos pega, e fala que chegou
A nossa vez, não há milagre que
Nos salve; não há esperneio que
Retenha a nossa última hora;
E nos agarramos ao que encontramos
Pela frente, como se estivéssemos
A ser levados de roldão, por uma
Enxurrada, e a força de gravidade
Não é suficiente para nos segurar
Aqui; e o ar nos fica pesado, o sereno
Nos afoga, o orvalho nos sufoca, e
Quem diz que respiramos; tudo é
Sofreguidão para nós, pesadões, a
Macabra nos faz dançar macabros,
Leves, como se dançássemos com o vento;
E fluímos na névoa como se levitássemos;
Uns causarão definitivamente tristezas
Aos seus, farão mulheres chorar, amantes
A arrancar os cabelos; outros, como eu,
Certamente não farão falta, as coisas
Não reverberarão, os pássaros darão
De ombros, e as pedras continuarão nos
Mesmos lugares, conscientes, à espera,
Para sepultar a nossa inconsciência.

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