domingo, 6 de dezembro de 2015

Amarrado; BH, 0220702013.

Amarrado, é o nó dado, é nó
Cego, mais apertado do que o nó
Górdio; e todas as cordas do mundo
Enforcam-me numa forca sem
Fundo; e do alto do cadafalso, meus
Carrascos aplaudem, ao verem o meu
Corpo pendurado; é um poeta alado?
É um bardo asado? perguntam todos
Abestados; não, é mai um injusto
Que caiu enforcado, é mais um
Ímpio a pagar seus pecados; não
Deixou registradas suas pegadas,
Não escreveu poemas nas areias,
Não ouviu o canto das sereias,
Não navegou nos mares lunares,
Tem muito o que expiar por todas
As faltas que cometeu; por onde andou,
Deixou a desejar, não amou e
Não deixou-se amar; se armou
De armas traíçoeiras, enganou as
Almas verdadeiras, exterminou
Amizades inteiras; não idolatrou
O país, não honrou os pais, senhor
Juiz, o que merece este rapaz? se
Inda houvesse inquisição, seria
O nosso São Sebastião, faríamos com
Ele uma fogueira, numa noite de
São João; pelo menos as labaredas iam
Queimar as cordas que o prendem,
E uma vez na vida, a entrar na
Morte, iria se sentir livre, e com o
Espírito em liberdade, iria se sentir forte.

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