sábado, 5 de dezembro de 2015

Não pesco mais; BH, 0210702013.

Não pesco mais, lanceia a rede
Várias vezes e veio vazia; pus isca
No anzol, e o puxei sem a isca;
Os peixes não querem nada comigo,
E terei de ir dormir de barriga
Vazia, de mãos vazias, de tarrafa
Vazia; pelo jeito não há peixes
Nesse rio, escafederam-se, ou
Nadaram contra a correnteza;
Só pode ser, ou sou um mau
Pescador? um pescador sem vara,
Sem isca, sem anzol, sem rede,
Sem barco, sem um Cristo para fazer o
Milagre dos peixes, ou milagres não
Acontecem comigo? não é possível,
Todo mundo ali, a tirar cada bitelo
D'água, e eu aqui,plantado, sem
Matar nem cascudo; alguma coisa
Errada está a acontecer, e não
Percebo, não tenho percepção
Suficiente para captar as mudanças,
O clima, o o tempo; tudo mudou, e
Só eu continuei sem mudar; e se eu
Não mudar, nada muda na
Muda; amanhã volto com mais
Iscas, anzóis, redes, tarrafas, varas e
Um barco novo, para uma nova
Pescaria; amanhã será outro dia,
Outra situação, outra ocasião;
E o que está a atravancar, hoje,
Amanhã não atravancará, amanhã
O tempo estará para peixes.  

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