terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Meu campo de visão; BH, 0260702013.

Meu campo de visão é muito limitado,
Vivo enclausurado, não saio à rua, 
Não encontro a luz do sol; meu 
Campo de ação é restrito, relaciono-me
Com poucas e raras pessoas, tenho poucos
E escassos amigos; não são muitos,
Nada em mim é muito, tudo 
Em mim é pouco; e para que ter 
Alguma coisa quem não é nada? não
Quero ter nada e o que tenho,
É fácil de carregar; minha avó
Tinha muitas quinquilharias, talhas
Cheias de trastes velhos, jarras cheias 
De restos, o que foi tudo jogado ao 
Alto, e que a fez chorar muito,
Lembro-me como se fosse hoje e 
Era apenas um menino amedrontado;
E minha avó chorava um choro  
De boca aberta, sem nenhum dente,
Meu filho, quebraram tudo que eu 
Tinha, jogaram tudo para o alto e 
Fizeram uma fogueira no terreiro;
Mas não vou chorar pelas coisas
Assim, não tenho uma moringa,
Não tenho um pote, uma gamela, uma
Panela de barro, bacia, uma mala,
Alforge, nada tenho que impeça-me de 
Voar; e alço voos trans-universais,
Vou ao além num pé e volto noutro
E converso em telepatia com as 
Minhas tias e converso em rococó
Com as minhas vós.

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