sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Daqui do murundu; BH, 050802013.

Daqui do murundu não se vê 
A sorte do outro lado da fronteira
E há o muro, e depois a muralha,
Além a cordilheira e o mar; 
Daqui do topo, a vista prolonga-se,
Perde-se até a noção, as coisas
Confundem-se como algo que 
Queremos dizer e embaralhamos;
O calor faz vibrar a paisagem,
Os morros são de gelatina e os 
Aventureiros César, Alexandre,
Faziam a sorte, venciam o azar;
Os acomodados esperam que o 
Universo faça a sorte para eles;
Querem que o rio seja raso, que as
Águas sejam tranquilas, que os 
Mares não sejam bravios e os ventos
Não sejam fortes; os sedentários não
Querem mudar o mundo, para não
Ter que sair do lugar; detestam
Revoluções, rotações, translações;
Aliam-se alienados à força da 
Gravidade e não levitam;
Chumbam-se ao chão, enraízam-se
Nas rochas e teimam que nada 
Muda, enquanto tudo se movimenta
De um lado para outro; e na verdade
Das verdades nada é a mesma coisa,
Igual, normal, mesmo que teimemos
Não nos mover um segundo adiante, 
Quem nos garante, que somos os 
Mesmos, quem nos confirma.

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