domingo, 20 de dezembro de 2015

Odeio, explicitamente; BH, 0290702013.

Odeio, explicitamente, odeio, não há
Como negar, mas o que move-me é o
Ódio; odeio desde da hora em que acordo,
Até o momento em que vou dormir; só
Odeio, e não suporto fazer outra coisa,
Não odiar é morrer; e odeio tudo 
Que se move na face da Terra, e 
O que não se move; odeio aonde 
Meus pés pisam, e o que meu estômago
Acolhe; que raiva que me dá 
Este ódio, é uma vontade de xingar,
Brigar, matar, cometer atos terroristas,
Explodir bombas, arrancar os olhos,
Abrir o ventre, personificar o mal;
Não suporto o mercado, a mídia, os
Bancos, as igrejas, as escolas, os hospitais,
Os cemitérios; não suporto os cursos, as
Universidades, as repartições públicas, as 
Polícias, os políticos, os tribunais, as 
Assembleias, a câmara, o senado; odeio
Os palácios, as mansões, a burguesia, a 
Elite; arrumeis mais alguma coisa 
Aí, que vos direi que odeio, tenho raiva,
Cólera, ira; odeio a sociedade, odeio 
O consumo, a moda, e as artes, todas 
As artes, a saúde, a educação, e a 
Cultura; quem me dera uma montanha,
Um monte, um cimo bem elevado,
Um lugar mais distante, para romper
Estes nervos, estas cartilagens, quebrar
Estes ossos, arrancar estas raízes, com o
Contato que me causa este ódio óbvio.  

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