domingo, 1 de maio de 2016

Depois da perda de merecimento e da falta de mérito; BH, 0120402001.

Depois da perda de merecimento e da falta de mérito
E de todo ato e efeito de desmerecer-me e com tudo
Só a esmerar, no meu total desmerecimento, para
Frisar e não cair no esquecimento, que mais posso
Esperar, depois de tornar-me indigno? e ser mais do
Que desmerecido, até pelos parentes? por não ser
Evangélico, religioso e nem dar dízimo? e fazem de
Tudo para que não venha nem a merecer ser salvo e
Nem a fazer jus a um trabalho; se não for evangélico
E se não pagar o dízimo, nem adianta ir, não conseguirá
Nada, nem trabalhar e nem sequer vender um só livro;
Pode desistir e tento e quero provar que sou competente
Para desmentir teoria tão feudal e não consigo, tento
Declarar ser mentira alguma afirmação sobre esse
Tipo de coisa; tento contradizer, lembrar da inquisição
E da igreja católica e até a negar tal absurdo, com
Um desmentido, um contradito, mas, só sabem
Desmemoriar, só sabem fazer perder a memória e
Até a existência é pecado, a música é pecado, a
Cerveja é pecado, o sexo é pecado, o amor é pecado,
A paz é pecado, o universo é pecado, o mundo é
Pecado, o planeta é pecado; só não é pecado ser
Desmemoriado, ser esquecido, se ainda o indivíduo,
Que, por choque, ou doença, perdeu a memória da
Própria personalidade, anterior a esse acidente, 
Seria desculpável, mas, não, perdem a memória
Em busca de uma santificação, de um puritanismo
Hipócrita, que não se move, nem com o desmembrar
Da humanidade; o caráter de cortar os membros de 
Um membro e o dividir do corpo desmembrado, 
Desconjuntado que, não ligam, não é com eles, 
Não é nos físicos deles que estão a sentir a dor,
Por que irão preocupar-se com a dor dos semelhantes.

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