segunda-feira, 2 de maio de 2016

Olho para as paredes e são mais vivas do que eu; BH, 0110402001.

Olho para as paredes e são mais vivas do que eu,
Zombam de mim, riem e escarnecem na minha
Cara; são o que sustentam-me e dão-me apoio,
Quando volto a cambalear de bêbedo e embriagado,
Para casa; são mais sábias, sabem que podem 
E têm o direito de fazerem isso; olho para as 
Paredes, estão dentro de mim, choro, riem e 
Humilham, refletem minhas sombras da 
Maneira que querem e não da maneira que 
Quero; refletem minhas silhuetas, meus vultos
E trevas e com toda a perfeição da verdade; 
Não adianta esconder-me atrás de mim, sou 
Fluido e líquido e ar, sou terra e pedra e sal,
Sou nuvem, areia e palha e cisco de quintal,
Sou simples assim, grama de jardim, cal e 
Tinta, tudo artificial e na tabela periódica,
Não encontro os meus números, nem atômico
E nem de massa e nem tenho símbolo de 
Representação; e na química orgânica, ou
Inorgânica, não faço parte de cadeia de 
Formação e na física não existo no sistema
E nem na equação e desconheço o meu 
Vetor, a solução de E=mc²; sou um corpo
Sem energia, massa e luz e estou mais 
Para as trevas, do que para a cal da 
Luminosidade das paredes brancas dos 
Cemiteriozinhos que refletem a luz prateada
Do luar; olho para as paredes e não enxergo
Nada e ao contrário enxergam tudo de mim.

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