terça-feira, 12 de julho de 2016

Belo Horizonte 8 de Julho de 2016 às 7:18 manhã.

Belo Horizonte 8 de Julho de 2016 às 7:18, manhã 
De sexta-feira, o poeta procura uma poesia e não a
Encontra; almeja um poema porém, todos os poemas
Voaram de volta à casa dos poemas e deixaram o 
Poeta estéril, numa terra infértil, num terreno
Inóspito, num terreiro arenoso, num quintal 
Desértico; e deram-lhe água e pediu vinagre e 
Deram-lhe pão e pediu pedra e deram-lhe açúcar
E pediu sal, deram-lhe o lado azedo da vida; e 
Pediu luz e deram-lhe o escuro, deram-lhe o 
Selvagem, o furor das trevas, o medo do
Desconhecido, o mistério do oculto, os espinhos 
No lugar das rosas e os cardos dos caminhos; e o 
Poeta não conseguia nem fingir, queria fingir que 
Era poeta e não conseguia, remoto, ermo, desabitado,
Com todas as moradas vazias, jazia cadáver insepulto
Repelido pela alma, corpo morto desprezado pelo
Espírito e de ente, ou de entidade, nada mais tinha;
A pele já sem cor, a carne já estragada, os músculos
Flácidos, a única esperança eram os ossos do 
Esqueleto, a ossada da caveira, as únicas e últimas 
Resistências dalguns vestígios de poeta; a pele não
Era mais vestido para nenhuma outra pele e o 
Resto foi cremado e o poeta virou cinzas que,
Misturadas com cocaína, foram cheiradas por um 
Viciado compulsivo que, ao cheirar sem parar a 
Noite toda, morreu de over dose; e assim, o poeta, 
Igual ao Lázaro, morreu duas vezes e causou uns
Bons momentos de loucura ao cheirador que, no 
Delírio tremens gritava nunca ter cheirado nada 
Igual; e um dia do poeta ao ser lembrado, dirão 
Que serviu de alguma coisa, pelo menos para dar 
Umas ondas boas a um viciado, antes de o ter 
Matado; amém e até logo a todos os mortos nus,
Que deram lugar aos nascentes e aos nascidos e
Quem sabe que, talvez, desse novo veio, não 
Ressurja o poeta morrido? quem sabe que, talvez,
Dessa nova lava, nessa nova lama, não se faça um 
Boneco ressurgido, pagão, mas, com um nome 
Ungido de poeta fênix? até logo e amém.

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