terça-feira, 19 de julho de 2016

Sordidamente e sem surdinar e como um alguém que rouba; BH, 0180702015.

Sordidamente e sem surdinar e como um alguém que rouba,
Numa madrugada escura, sem a luz do luar, quando
Só as sombras habitam a terra e o silêncio fere os
Ouvidos sensíveis, as névoas dão um toque de terror
Terráqueo, a neblina faz monstros nas colinas, o
Sereno tem cheiro de veneno e o orvalho deixa
Marcas de pés nos assoalhos, alguém assoa o nariz
Entupido de trombone de vara, trompete abafado, ou
Saxofone desafinado, cospe grosso de lado, arrasta
Os pés pesados nas pedras das estradas, magoa os
Calcanhares calcados, tropeça trôpego, bêbado na
Poeira, enquanto o vento açoita o paletó poido,
Rasga-lhe as restos das vestes dos vestidos, dos
Fatos velhos de outrora, para espantalho na sétima
Encruzilhada, roga uma praga ao nada, faz um 
Desprezo de indiferente, numa postura de cadáver
Indigente, para passar uma atitude de espírito 
Inabalável e nada foi dito, com tudo inaudito, 
Contudo, pensava que dizia-se algo com boca de 
Homem, provérbio, sentença, augúrio, epitáfio,
Sonho de um delírio de pesadelo tremens 
Surrealista, na face do rosto do artista no mármore
Mais nobre de Carrara, na faceta do diamante
Lapidado no caos da quebra do átomo eterno e 
Postou-se na mesa da pedra mais preciosa, o 
Banquete dos fantasmas, no festim dos ectoplasmas,
Na orgia das assombrações, na bacanal sobrenatural
Dos prisioneiros acorrentados nas cavernas das 
Catacumbas mentais, ecos de ais, lamúrias e 
Lamentações, dispersões, digressões, alucinações,
Sordidamente, amanheceu uma manhã, onde não
Conheceu-se o dia, que nascia na palma da mão.

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