terça-feira, 19 de julho de 2016

Caçador de obras-primas; BH, 0170702016.

Caçador de obras-primas, não há na 
Matéria-prima, um estado que não 
Tenha sido visitado, na ansiedade da 
Busca, do que deve ser imortalizado; 
E o universo fica pequeno, o infinito fica
Ao lado e as paralelas não são mais o 
Obstáculo a ser superado; e a distância
Entre estrelas de constelações diferentes,
De aglomerados existentes e inexistentes,
É um pulo de amarelinha, na calçada
Da rua em frente; mamãe sou diferente,
Não gosto de brincar de bola de gude, não
Gosto de brincar de bola de meia, não
Gosto de coisa de gente; esse menino
Não vai dar para coisa nenhuma,
Não há remédio que o traga ao mundo 
Decente, dos vivos; vive a suspirar pelos
Cantos, a murmurar para as coisas, a 
Sussurrar para o nada e a rasgar o céu
Com o seu olhar inexpressivo de assassino
Doente; toma remédio para a memória,
Toma remédio para a mente e a cada dia 
Que passa, adquire a aparência de um 
Louco carente, um louco que, quer que, 
A sua poesia seja considerada poesia,
Seu poema uma obra-prima e seu soneto
Uma obra de arte; e entra em convulsões
Quando é desconsiderado, despercebido
Por não ser amado, voa, esquece que não
É alado e espatifa-se no chão desidratado;
Tomou muito álcool de madrugada, fez
Outras estrepolias e amanheceu na cama,
De ressaca e de azia; o sol veio dar bom-dia,
Fez uma cara feia que, não era de alegria
E o sol envergonhado, embaçou o dia.     

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