domingo, 3 de julho de 2016

Na Orla da Lagoa da Pampulha a bicicletar; BH, 020702016.

Na Orla da Lagoa da Pampulha a bicicletar
E quem diz que consigo, com tanta natureza
Para olhar? um dia, é um bando de marias-pretas,
Que desde menino não via, noutro, um grupo 
De sabiás, a atravessar com imponência, a 
Ciclovia; e uma família de capivaras, pai,
Mãe e quatro filhotinhos, a posar para 
Inúmeros celulares e olhos arregalados de 
Bicicletas paradas; tantas vezes passo 
Pela Igrejinha de São Francisco, tantas 
Vezes reverencio o Oscar e o Portinari; e as
Lamentações ficam por conta de lugar tão consagrado
E ao mesmo tempo tão desprezado, desrespeitado,
Cercado de lixo e água podre por todo lado; 
Fora os motoristas furiosos, que irrompem
Contra os ciclistas e jogam suas sacolas com
Resíduos pelas janelas dos carros, do asfalto
Aos gramados onde brincam os passarinhos;
E a elegância das garças brancas, a graça dos 
Marrecos, a indiferença dos urubus por nós?
E os bem-te-vi altivos, meninos, bem que os vi;
As meninas a bicicletarem, passam por mim
Velozes, pois vou bem devagar, para nada 
Perder e nem deixar de absorver; e até as de 
Patins, esvoaçam diante de mim, ai, que 
Alegria mirim, se pudesse só viver assim, a 
Orlar pela Lagoa da Pampulha a bicicletar,
Como se estivesse na infância, uma eterna
Criança, a correr atrás das borboletas, a 
Subir nos altares das árvores, como se o dia,
Nunca mais fosse acabar; e chego a atrapalhar
Os velozes ciclistas, que pedem licença por
Favor, ou à moça que diz atrás de mim: moço, deixa 
Eu passar e chego pro lado e digo: queira desculpar.

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