domingo, 5 de fevereiro de 2017

O andarilho ancião rasgou os; BH, 0220902016.

O andarilho ancião rasgou os 
Meandros das sombras e uma voz das
Trevas se faz ouvir, nos tímpanos 
Envelhecidos dos seus ouvidos enferrujados;
Que procura tu, velho decrépito, com
Esse único olho vítreo de cobra cega?
O senil arfa, a frase perfeita, o período
Com pé inteiro, a sentença de veredicto
Nobre, o parágrafo único, o artigo primeiro;
Toda a vida tiveste para essas baboseiras pueris
E com a morte nas costas e em pele e osso
E mais osso do que pele, inda tateias
A babar gosmento, ruminante nojento,
Com essa mão trêmula de fantasma que,
Não segura uma pena ao vento;  e não 
Desistirei, trevoso, hei de uma obra-prima
Imortalizar, hei de uma obra de arte
Perpetuar, antes, ou depois de me mortificar;
Faça-me chorar, se na diversão, só sabes
Dar trabalho, velho bobão, quem se importará,
Com o que queres perpetuar, ou imortalizar?
Conheço todos os seres, entes e entidades,
Almas e espíritos, assombrações, fantasmas e 
Aparições e nas minhas premonições, não
Entram as tuas reminiscências; vade
Retro, capiroto, não sou o Fausto e a ti
Não dou aparte, meus pensamentos 
Não penetras; se não fosses tão sem valor,
De alma tão mesquinha e pequena, 
Daria-te uma canga bruta, para veres de 
Quem se trata; de ti não tenho medo,
Nem no claro e nem no escuro, pisa 
Quem te daria, seria eu, o ancião, tal
Qual dei no Lampião; e se acender 
O meu cachimbo rezado pela mãe de 
Santo e der uma baforada em teus 
Chifres e jogar cinza em teu cangote, 
Faço-te desaparecer, seu bitre; e olha
Que, não vou levantar nem o meu 
Patuá; e a folhagem farfalhou bravia,
Como se algo a sacudia e o andarilho
Rasgou os meandros das sombras em silêncio.

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