sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Não vou sair desta enrascada? BH, 0250802013; Publicado:BH, 010102016.

Não vou sair desta enrascada?
Não vou nadar até o porto sem morrer na
Praia? ou o meu destino será outro?
O de não nadar até o porto o de
Morrer na praia das letras posso
Desistir não representam-me
Das palavras posso abrir mão não
Formaram minha palavra não
Embasaram minhas sentenças
Precisei de provas precisei de juras
De testemunhas de firma reconhecida
No cartório na minha miscelânea de
Opiniões não encontrei quem quis
Autenticar dar por fundamento
Escondi-me atrás da porta debaixo da
Cama no fundo do porão fugi para o
Sótão onde havia um louco sorrateiro
Aliei-me a ele ficamos anônimos
Enquanto houve silêncio nada nos
Notou mas quando começou a
Uivar a esmurrar as sombras a bater
Nas paredes a vizinhança começou a
Incomodar-se fomos notados
Apontados condenados nada de
Defesa argumentações alegações
Embargos o tribunal era de exceção
Penitenciados por sermos loucos
Por supostas faltas de razões heis
Aqui as tuas palavras todas jogadas na
Tua cara heis aqui as tuas letras vira
A outra face para ser esbofetado

Teimarei nadarei contra a corrente; BH, 022082013; Publicado: BH, 01º0102016.

Teimarei nadarei contra a corrente
Não importa ousarei irei contra o
Vento sei que o vento abre passagens
Nas rochas esperarei o dia certo
Uma dessas passagens se abrir
Atravessarei a pedreira com
Audácia resistirei as pradarias estão
Logo ali antes da noite estarei
Num repasto de sossego o corpo dói
Não há outro remédio o ânimo
É de ânsia sofreguidão de desespero
Posso nem emplacar um pensamento
Ou fundar uma frase talvez o
Próprio epitáfio não consiga compor
Há um saturamento na fundição há
Um limite na caldeira a usina
Está na força máxima preste a
Sofrer um esgotamento não terei
Remédio a não ser a resistência
Não terei alívio fui escolhido para
Esta missão é árdua arriscada
Suicida é viagem sem volta beco
Sem saída é sinuca de bico dilema
De encruzilhada ou enigma de esfinge
Devoradora primeiro ofertarei minhas
Carnes peles ossos depois alma
Espírito entidade em que for transformado
Amanhã lerei uma letra depois de
Amanhã uma palavra não asseguro
Que seja a verdade é tudo que tenho
A teima irritante que causa gastura
Com atrito de pés arrastados no asfalto

Candeia - Candeia Samba da Antiga (1970)

Desprovido de qualquer compromisso; BH, 0190802013; Publicado: BH, 01º0102016.

Desprovido de qualquer compromisso
Não ter obrigação não pensar ou exercer
Função ação nu enfrentar o futuro
Livre dos antigos preconceitos livre
Dos antigos artigos inda navego a
Praia está distante o porto de
Relance em relance fica mais longe o
Cais inatingível nado mais do que sou
Sozinho minha sombra abandonou-me
Perdeu-se no azul d'água não
Sei ou se já ultrapassou a linha
De chegada não sei quedo para
Enganar-me miragem iludo-me
Com as miragens para chegar
A um oásis uma onda o leva
Para o horizonte navios só os de
Névoas embarcações jangadas de
Fenícios de marinheiros experientes
Passam ao largo levam blocos de
Pedras de mármores para as pirâmides
Do Egito toneladas de metais nobres
Para as armas estátuas levam ouro
Para os tronos sarcófagos dos faraós
Algodão para o linho das múmias
Espermacete bálsamos filósofos
Para ensinarem aos sacerdotes
Assombração avistam-me não podem
Levar-me sou um peso descartado
Dutro navio quase a pique sobrenatural
Sobressaltados apelam aos deuses a
Visão à flor d'água desfraldam velas
Possantes remos ferem as ondas a
Afastarem-me de mim que fico para atrás

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Reatividade tremedal cerce; BH, 0160802013; Publicado BH, 02901202015.

Reatividade tremedal cerce
Insultante tremebundo com a possibilidade
De sonhar um sonho de verdade fora da
Realidade da utopia dentro da realidade
Da realidade o tempo urge a hora fatal
Está a nos abraçar em cada esquina
Todo dia é voo cego no escuro fora dos
Instrumentos é voo cego ao sabor
Do vento toda hora a ameaça é
Dum planeta à deriva é uma
Constelação mais poderosa a atrair
A outra é uma galáxia fora do eixo
É um novo caos a criar milhares de
Novos universos novos pesadelos a nos
Mostrar que não evoluímos não crescemos
No que de mais simples a nos lembrar
O quanto humanos que somos não
Tiramos os pés do chão pesamos toneladas
De chumbo não planamos não levitamos
No entanto menores do que ciscos de
Quintal queremos impressionar aos
Semelhantes com nossos pseudopoderes
Nossas mordomias de falsos ricos fieis enaltecedores
Das elites das mamatas que só
Envergonham causam ascos danos
Não há quem tenha um real interesse
Um ato digno um fato novo uma resposta
Revolucionária uma proposta de impacto
Nada além da frieza nada além da
Treva nem céu nem inferno nada
Além do azul do que pelo menos a mim
Faz-me chorar todo dia debaixo do firmamento

Não contento ninguém não agrado; BH, 0110802013; Publicado BH, 02901202015.

Não contento ninguém não agrado
Não faço feliz não puxo o saco sou todo
Ao contrário não alegro ninguém não
Amo não satisfaço pelo contrário sou
Todo ao contrário nada em mim é
Normal não canto hinos não oro não
Rezo não faço preces sou todo ao
Contrário de tudo que todo mundo é
Não vou à igreja não dou esmola não
Tenho fé sou todo diferente de tudo
De igual que todo mundo faz muito
Pelo contrário não faço nada certo
Nada sério tudo de errado não planto
Árvores não construo casas não crio
Família muito pelo contrário nem
Amigos tenho para ter amigos teria
Que ter dinheiro teria que ser rico
Muito bem resolvido ser do tipo que
Os amigos gostam reclamo de tudo
De todos falo mal até de quem não
Devo falar mal só quero saber muito
Mediocremente da vida doutros
Como se a minha vida fosse vida de
Gente não tenho amizade não sou
Fiel não sou leal quem confia
Acredita em mim o problema não é
Meu sem mais delongas lá vem
A aurora detrás do monte d'além
Mar a chegar devagar a quem
Interessar possa é isso que interessa o
Restante não vai adiante se vai adiante
Deixa pegadas no sentido contrário

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Mestre Saramago a maior alegria; BH, 0110802013; Publicado: BH, 02801202015.

Mestre Saramago a maior alegria
Da minha vida foi quando descobri
Por que a mulher riscava o chão
Com a vara apagava o risco aparecia
No mesmo lugar alto lá a maior alegria
Da minha vida será se continuares
A guardar o segredo para si mesmo
Mas precisava saber se estou certo
Mestre? nas minhas andanças pelo mundo
É a primeira vez que percebo que
Alguém realmente descobriu o segredo
Mas como o Mestre sabe se realmente
O descobri? descobriste pelo teu olhar
Sinto que descobriste se falares perderá
A graça mas é algo tão simples que
Penso que toda a gente deve ter enxergado
Nem todo mundo percebe as coisas
Simples poucos têm olhos para o
Que é simples me darás a tua
Palavra aqui perante a todo este
Público de que não revelarás o segredo?
Em nome da admiração que sinto
Pelo Mestre em nome da alegria que
É ler os teus livros em nome da
Felicidade que causa-me as tuas
Palavras não o revelarei nem Dan
Brown que gosta tanto de desvendar
Mistérios códigos símbolos teve a
Sutileza que tiveste muito obrigado
Mestre prometo que gozarei este
Prazer solitariamente muito mais
Grato fico em este meu discípulo