quarta-feira, 18 de março de 2015

É um crime e um crime hediondo e indigno; BH, 02701202012.

É um crime e um crime hediondo e indigno 
E digno de punição por pena de morte, passar
Um dia todo, sem imortalizar uma letra,
Sem legar uma palavra à posteridade;
É um crime inafiançável, perder um dia
Na vida, assim, à toa e as letras aí e
Abandonadas  e as palavras aí e
Apagadas, esquecidas das bocas, das
Línguas, dos idiomas; as palavras que,
Muitos, nem as pronunciamos mais; e
O mais triste é que nem me envergonho
Com a minha intuição, deixo-a passar
Batida e desprezo a minha premonição
E reminiscência; não tenho como passar
Por inocente, depois de assassinar o
Tempo inutilmente; e nem tenho como
Aparentar cara de ingênuo, com todo
Este porte de marginal; e inda fico a
Sonhar e na verdade, mereço só
Pesadelos; sonâmbulo, não durmo e
Quando durmo, funâmbulo num
Féretro, que carregado por fúnebres,
Não despertam com o réquiem;
Dissimulei para dissuadi-los dos
Crimes que cometo na inércia; e dizem
Que Drummond é que era preguiçoso;
Que estupidez que às vezes dizem
E não aparece um filho da mãe, para
Contestar tal ignorância; o nosso mais
Sagrado profano, que, tantas letras e
Palavras canonizou e vem um a querer
Bestificar seu santuário, nem vem, hein?

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