domingo, 22 de março de 2015

Quando voltar à verve perdida; BH, 0190302015.

Quando voltar à verve perdida
Ao veio da lavra do catafalco
Aos caminhos esquecidos
Às cidades fantasmas
Ao fim do caos
Ao início do fim
E for uma fuligem no limbo
Uma ferrugem no eixo inoxidável do universo
Na órbita insondável do infinito
No nada das dimensões imaginadas
E onde a imaginação não consegue imaginar
E o pensamento não consegue pensar
Ou o ser existir
O poeta não retornará ao pó
Será o átomo que nunca será partido num novo choque de universos
Ou no maior acelerador de partículas já criado por alienígenas
O poeta é um extra-terrestre invisível
Uma nave imperceptível aos mais modernos radares
E mais sensíveis sensores
De motor movido a âmbar
A espermacete de cachalotes fossilizados
E voará da centrípeta para a centrífuga
E da centrífuga para a centrípeta
Vetor de rotor
Da máquina geradora do núcleo solar
Do sol rei de todos os sóis
Pai dos quasares
E dos pulsares mais distantes
Mãe das estrelas das constelações dos aglomerados de galáxias
Que a cada segundo interestelar gera bilhões de aglomerados
De astros de luzes próprias que pingam iguais lágrimas de
Infelicidade de um buraco negro
Que capta o tempo
E não capta o poeta
Por sua energia maior
Por seu campo de gravidade superior
Por sua força de atração
Da qual o buraco negro foge de emoção
De sentimento
De poesia
De sentido
De direção em direção
O poeta é partícula de Deus
A matéria-prima que o demônio queria ser formado
Ao ser amaldiçoado
Quando foi descoberto
Seu desejo de querer ser poeta
E não foi permitido
No dia em que o espírito do verbo bradou
Haja poesia
Muito mesmo antes de bradar
Haja luz
Haja noite
Haja dia.

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