terça-feira, 3 de setembro de 2013

A poesia; BH, 01º0202000.

A poesia é o falar em coisas simples,
Pequenas, e que na maioria das vezes,
Passam despercebidas às pessoas comuns;
E ser poeta é justamente saber,
Diferenciar essas coisas, e separar as
Simples das simplórias, e da pieguice;
Ao ver um casulo onde lateja uma larva,
Mostro à minha filha que, daquela
Coisa feia presa no muro viscoso de
Lodo, pode sair uma linda borboleta;
Ela não sabia o que era um casulo,
E nem entendia ainda a metamorfose,
Por que passa a borboleta, antes de se
Transformar, e sair por aí a voar,
A pousar de pétala em pétala de cada
Flor que encontra por seu caminho;
Caminho de voo incerto, e destino certo:
O pólen, e o néctar, a fragrância, e o aroma
Que a embebedam, e a deixam apaixonada;
E é aí que entra a poesia,
É nesse voo da borboleta,
Nesse pólen das flores, nesse néctar;
É aí que entra a poesia,
Que a maioria não percebe;
E se percebe não entende, e se
Entende não compreende, e se
Compreende não sabe por que;
E é preciso ter os pés na terra,
Ter o contato com a terra,
Para que a poesia não perca,
A sua condição de fenômeno;
E a poesia sempre há de ser
Um fenômeno, mesmo que aqueles
Que a abandonam, e a relegam
A plano inferior, e a pretere a
Outros prazeres, e modos de vida,
A poesia será sempre fenomenal.

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