quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Só o fato de não enxergar; BH, 040202000.

Só o fato de não enxergar nada já é um
Motivo de grande contentamento, felicitação,
Alegria, e paz no coração; pois, o que os olhos não
Vêem, o coração não sente, e esta é a grande verdade;
E fico feliz por que escrevo, e não sabem
Que escrevo, e quando souberem, será
Tarde demais; e este é o único problema
Que vou encontrar quando me transformar
Num cego, pois, não sei como farei para continuar a
Escrever depois de cego; ou se devo parar ,
Ou se já sou um cego, e não sei, ou se
Já estou cego, e ainda não sinto; o fato é
Que ainda estou em dúvida se escrevo,
Se paro de escrever, ou se continuo a escrever,
Ou se sou eu mesmo que escrevo, ou se é
Algum espírito se escreve por mim, e quer que
Transforme-me num cego para escrever melhor;
Só mesmo ao ficar cego para melhorar meu
Estilo, já que não tenho estilo nenhum,
Justamente igual a um cego cujo estilo é a escuridão;
E o único bem é a alma, a alma sensível,
Apaixonada, e iluminada, a alma eterna,
Que se enche de luz facilmente, ou a ideia;
Por menor que seja a ação, o ato, o fato,
Tudo que o cego faz, faz com novidade, e emoção;
O cego é todo emoção, e sentimento, é todo
Expectativa, e atenção, e todo sentido, e alerta:
Não vacila, e nem treme a mão, e por esta,
E outras é que vou entrar para o meio
Deles, para o mundo deles, e não vou, e nem
Quero me arrepender, e nem ter remorso;
Se quero almejar um novo caminho
Iluminado, e sem problemas, um caminho
Sem pedras, e sem espinhos, basta escolher
O caminho dos cegos, basta seguir os passos
Firmes, e decididos por onde passam;
E vais me conhecer um outro, e novo eu
Em mim, um novo pensamento formado
Através das trilhas, e das sendas que não
Precisarão serem iluminadas por luzes artificiais,
Pois a luz natural já paira sobre mim;
E sobre todos os cegos que vagam nas grandes
Cidades, nos grandes centros urbanos, conglomerados,
Nos campos, e nas cidadezinha dos interiores
Dos estados por este mundo a fora;
E bem-aventurados os cegos, e não os cegos de
Espírito, não os cegos de alma, de pensamento,
E de ser; bem-aventurados os cegos, e não
Os cegos pela ignorância, pela imprudência, pela
Falta de educação, pela falta de cultura,
Qualidade de vida, e pela mediocridade;
Bem-aventurados os cegos, e não os cegos
Mesquinhos, avaros, ímpios, néscios, vazios;
Bem-aventurados todos os cegos, e não os cegos
Que procuram a preguiça, a estupidez grotesca,
A brutalidade, e a secura pela falta de serenidade;
E sempre será assim que a partir de hoje,
Verei as coisas perante, e diante de mim nas calçadas;
Será assim que a partir de agora vou perceber,
Tudo que me cerca, e que me seduz, e que
Conduz-me aos caminhos da mídia, e nos
Caminhos do consumo, de uma sociedade
Desequilibrada, vazia, perdida, e podre;
São com olhos de cegos que agora olharei,
A cada pessoa que cruza à minha frente;
São com olhos inexpressivos, e opacos que
Fitarei olhos por olhos de cada um que
Firmar em mim os olhos sadios, e sábios,
Firmar em mim os olhos de inteligência;
Meu tempo de outrora já se foi, e não preciso
Mais destes olhos que a terra há de comer, e que
Não servem para serem doados, pois se doá-los,
O receptor herdará a mesma doença que me deprime;
Então, prefiro jogá-los fora, pois bem sei que,
Cavalo dado não se olha os dentes, mas,
Com olhos é diferente, e a pessoa que os herdar,
Vai dar continuidade ao meu sofrimento;
Prefiro enterrá-los, ou jogá-los ao fogo,
Assim ninguém os pegará para aproveitá-los;
E para terminar, a última e grande vantagem
De um cego é que ninguém nunca sabe quando
Ele está acordado, ou quando está a dormir;
Ninguém nunca sabe quando está vivo,
Ou quando está morto, ninguém nunca
Sabe, e nem nunca saberá, só aqueles que são
Os bem-aventurados dos cegos; e aos que tudo vêem,
Dedico as linhas deste fragmento, a mim, um
Cego de nascença que espera um dia aprender
A ver, e a enxegar com as vistas da visão, e
A todos os cegos corajosos que enfrentam a vida,
Enfrentam  a crueza do cotidiano, e não se
Abatem nem na escuridão infinita;
Não se abatem nem quando tropeçam, e nem
Quando se esbarram com outros obastáculos,
Que a qualquer mortal comum seria a máxima
Da infelicidade, do azar, e da falta de sorte;
Parabéns a todos os cegos, felizes todos os cegos,
Felicidades a todos os cegos, cheios de esperança,
Cheios de segurança, coragem, fé, paixão,
Amor; e sem covardia, sem medo,
Com a valentia da cara, e da coragem que
Só os cegos têm para mostrá-las como exemplo;
Graças a Deus, a partir de hoje sou um cego,
Um cego feliz, e decidido, disposto a romper
Com todo o sitema, com toda a mídia,
Com toda a sociedade, com tudo, e com todos;
Um cego fora dos padrões normais da imoralidade,
Da hipocrisia, da falsa resolução, e da mentira:
Um cego das trevas por fora, e da luz por dentro.(2)

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