terça-feira, 3 de setembro de 2013

Daqui da sala; BH, 01101201999.

Daqui da sala,
Vejo por detrás da cabeça de minha mãe,
À direita, a cabeça do meu pai;
Dentro de cada uma, o cérebro
E há quarenta e quatro
Anos passados na mesma época,
Faltavam vinte e nove dias,
Para a minha mãe,
Entrar em trabalho de parto
E dar-me a luz;
E nasci sem cérebro,
Não herdei o cérebro da minha mãe
E nem o do meu pai;
E a minha tormenta é esta,
A falta de inteligência;
E a minha tormenta é esta,
A falta de sabedoria,
De conhecimento e de criatividade,
De coragem e de fé;
Nasci com medo,
Com covardia e preguiça,
Com desânimo e cansaço;
Não consigo sobressair,
Deste eterno estado de apedeuta
E energúmeno e mentecapto;
O sangue que corre nas veias dos meus pais,
Não corre nas minhas veias;
Nas minhas veias corre água poluída,
Com coliformes fecais,
Cerveja e cachaça
E o que não sei mais.

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