terça-feira, 3 de setembro de 2013

O único dom; BH, 01101201999.

O único dom que um dia,
Por acaso me procuraria ter,
É em escrever coisas belas,
Tipo Pessoa, e Drummond,
Manoel de Barros, e Cruz e Souza,
E aquele beija-flor que vejo agora,
Neste exato momento,
Daqui da janela da sala;
Acrediteis quem quiser,
Por enquanto me contento,
Em sobreviver na agonia,
Na angústia, e na cegueira;
Não saber ver de perto,
Não saber enxergar de longe,
E nem entender o universo,
Por mais simples, e transparente,
Que as coisas parecem ser;
Fecho-me no meu casulo,
Na complexidade do meu ser,
E no contexto da minha existência;
Não consigo abrir a mão,
Clarear a mente,
Elevar a voz,
Ser límpido igual a luz;
E sofro na ignorância,
Sofro na escuridão das trevas,
Na mágoa do meu olhar,
Na mudez do meu grito;
Espero um dia despertar,
Juntamente com o amanhecer,
E brilhar igual ao sol,
Até ao entardecer.

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