quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Não e ainda não estou livre e não; BH, 02501202013.

Não e ainda não estou livre e não
Bebi o vinho da liberdade, não
Embriaguei-me com o néctar
Do livre; não, inda não sou
Liberto, ainda sou escravo, cativo,
Preso às mídias, preso aos poderes;
As asas da liberdade não se abriram
Sobre mim; continuo condenado,
Penitenciário, presidiário, interno;
Não saí do casulo, não saí do
Útero, a placenta não se arrebentou,
E o cordão umbilical algemou-me;
Não, inda não sinto-me em liberdade,
Quero a liberdade, e a liberdade
Foge de mim; a liberdade caiu
Nos braços da elite, a liberdade
Abraçou a burguesia; e sou
Só números, sou só algarismos,
Senhas, simulacros; e sou só
Cartões, cédulas, notas, notificações;
Estou acorrentado aos padrões, aos
Tabus, aos dogmas, às tradições;
Continuo confinado na senzala,
A comer sobras, a comer restos da
Casa grande; continuo atado ao
Pelourinho, a ser açoitado, a ser
Relhado pelo feitor; e a ser caçado
Pelo capitão-do-mato, como a
Um bandido; e com o conservadorismo,
Aquela democracia sonhada virou
Utopia, ou só a possuem a aristocracia,
Ou a plutocracia, que bancam a
Segurança, a garantia, a confiança de
Uma liberdade feita sob medida, onde
Não me cabe, e me exclui de todo jeito.




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