quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Oh Drummond recita para mim aí; BH, 01201202013.

Oh, Drummond, recita para mim aí,
"E agora José?" sussurra aqui ao
Meu ouvido, baixinho, do jeito que
Gostas de falar; ou se preferires,
Cicias ao cantar, como fez o cantor
Paulo Diniz; é que estou a sentir-me
Um José, o chão saiu de debaixo
Dos meus pés, o ar fugiu dos meus
Pulmões, e não ouço mais o som do
Bater das ondas do mar nos meus
Tímpanos; e Minas, Drummond,
Minas acabou-se literalmente; e não
Há mais políticos , lembras da
Educação de antigamente, do teu
Tempo, do meu, virou pó; lembras
Da cultura, dos poetas, dos escritores,
Todos fugiram para o Rio de Janeiro;
E não houve jeito, Drummond, "tem
Uma pedra no meio do caminho", tem
Um elefante branco, que o povo
Carrega nas costas, e não consegue
Pagar; e as mineradoras acabam com
As nossas águas, destroem nossas
Serras, ferem nossas montanhas,
Põem fogo no que resta da nossa
Natureza, para acabar de devastar,
Atrás do minério; o mineiro mudou,
Não é mais político, não cobra mais
Nada dos falsos políticos, e os jornais
Mineiros, são todos custeados pelo
Governo do estado, pela verba
Desviada da educação; e agora
Drummond? e agora José? e agora
Minas Gerais?

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