domingo, 6 de julho de 2014

Empresarial Nicolau Jeha, 24; BH, 01601002012.

Com as parcas letras do alfabeto,
Os poucos números
E os limitados símbolos
E signos,
O ser que escreve,
Lavra nas lavras
E nas minas,
Os mais preciosos tesouros;
E desvenda os mais escondidos mistérios
E enigmas de segredos;
Ao ser que escreve,
Não é preciso muita coisa;
Basta o universo,
O infinito,
Algumas linhas
E a obra está criada;
Pode não ser uma obra-prima,
Pode não ser uma obra de arte,
Uma pérola rara,
Uma joia lapidada nos atritos dos astros;
Mas ao ser que escreve,
O que escreve,
Vale mais do que todas as bibliotecas universais;
E o ser que escreve,
Do oculto tira a luz,
Das trevas resgata mundos,
Almas,
Seres;
E transforma tudo em poema,
Em poesias inoxidáveis,
Inflamáveis;
E infindável é o que o ser que escreve tira das pedras,
Dos moinhos,
Dos ventos,
Dos castelos;
De onde menos se espera que saia algo,
Tira um favo de mel,
Uma pétala de flor,
Um raio de luz,
Uma nata de leite;
Inusitado,
Ao mesmo tempo está em todo elemento
E não está em nenhum;
E não anseia nada mais ser,
Além de ser,
O ser que escreve;
Os demais são os que ficam a rotulá-lo disso
E daquilo
E de muitas coisas que não é;
E essas coias não o abalam,
Pois ao ser o ser que escreve,
O que lhe importa é o que escreve
E nonada ao contrário.


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