sexta-feira, 11 de novembro de 2022

será que poeta morre mesmo

será que poeta morre mesmo
ou será mais uma enganação do destino?
penso que o que morre não é o poeta
sim o bojo que é o habitat do poeta
o pote que quebra
a talha que racha
a moringa que se parte
o vaso que vaza
todo componente no qual o poeta está inserido morre
o poeta fica fendido no universo com o
alicerce de versos
o testamento com testemunho de versões
de poesias
de poemas que dão gemas no estatuto dos
sonetos de sonhos
ai aí vem um
fala thiago de melo morreu
é pouco
vem outro
fala thiago de melo morreu
ninguém diz que thiago de melo viveu
muito
vive muito mais ainda
ou estarei enganado?
ou será que poeta é menos
menor ainda
é engodo que qualquer coisa mata
qualquer mortezinha chega
abala a fortaleza do poeta?
o poeta é mero
mínimo
ou é superior à morte morta?
o poeta é universal
michelangelo pintou o céu no teto da capela sistina
poeta pinta o firmamento do céu
a cor preferida do poeta é o azul que é a cor
do infinito mas a palheta do poeta é o arco-íris
o pincel é de pestanas
de cílios de sobrancelhas
as telas do poeta são as pálpebras
o óleo é o sangue
a sociedade é a única que mata o poeta
a mídia também adora matar poetas em vida
as academias
os liceus
os ginásios
os colégios
assassinam poetas cotidianamente mas o
poeta teima em vida a latejar nas reverberações
a cavalgar raios de sol a se fazer de girassol a
se transformar em coisas inanimadas
sombrias
o poeta é uma assombração
que despreza o sobrenatural

BH, 0140102022; Publicado: BH, 01101102022

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