quando morrer quero morrer a gritar o teu nome
a rasgar a garganta no rompimento das cordas
vocais dilaceramento da jugular com o sangue
numa hemorragia de veia estourada quando
morrer quero morrer loucamente no ápice da
insanidade no auge da decrepitude da
apoplexia que a tua imagem causa ao meu
cérebro doentio quando morrer quero morrer
diversas vezes para valer a pena morrer sem ti
ou morrer sem causa ou razão ou morrer sem
noção quero morrer agarrado à tua mão tal qual
um afogado a se afundar no mar da imensidão
assim navegarei nas profundezas dos oceanos
abissais a ter a certeza que morri maior que te
orgulharás de morte tão imensa dum amor tão
verdadeiro incondicional que chegou a ser
corriqueiro na boca do populesco notório o que
amou não foi inglório morreu a ensurdecer o
universo com seus gritos ao nome amado
morreu a quebrar os tímpanos dos titãs dos
gigantes dos seres sobre humanos das
sombras dos limbos dos fantasmas habitantes
das penumbras dos ectoplasmas materiais
inquilinos das trevas abissínias
BH, 040302022; Publicado: BH, 01⁰01102022
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