segunda-feira, 7 de maio de 2012

Llewellyn Medina, Para Felipe Santa Cruz; BH, 070502012.

"MEMENTO HOMO QUIA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS" OU
O TORTURADOR SE DIZ AREEPENDIDO



 
Há em mim uma busca esperançosa
De quem sou
(Pois sei que sou)
Mas é preciso saber eu saiba que sou.
 
Minha busca passa por aquele Brasil
Em que poucos
Tão poucos lutaram 
E lutaram
Sem saber que lutavam
Contra  moinhos de ventos 
Uma legião deles
Mas que feriam 
Feriam 
E matavam 
Como se matam os sonhos
Que aqueles que vieram antes de mim sonhavam.
 
E o sonho deles meu sonho se tornou
Mas eu já sabia
Que moinhos de ventos
Não são moinhos de ventos
São máquinas de moer sonhos...
 
 
Daí que os procurei
Pois se queria descobrir
Quem sou
Queria dizer que moinhos de ventos
Não são moinhos de ventos
E assim ligar o meu
Ao destino daqueles poucos
Que queriam tornar a visão do horizonte
Numa visão diáfana e perene
Em que leite e mel parecessem bens
Que a todos fossem partilhados
Como aqueles que lutavam
E  lutavam
Sonhavam que fossem partilhados
E compartilhados.
 
 
Mas aquela era um terra
Em que moinhos de ventos
Eram máquinas de moer gente
Triturar gente
Tornar gente não-gente
Tornar gente sequer semente.
 
 
Fui gerado dessa gente
E se esse desejo pungente
De desvendar o mistério de mim
Me  leva a essa incessante busca
Que não é somente minha
Pois somos frutos
Muitos e relutantes frutos
Que não aceitam o esquecimento
Pois esquecer é negar
E negar é dizer que não sou
(E eu sei que sou).
 
 
Aqueles que sonhavam
Não deixaram de ser
E se seus espíritos embalam meus sonhos
Também afligem a alma dos moinhos de ventos
Pois a procura que procuro
Parecer ser o que tentam esquecer
Meus anelos
E
Seus pesadelos
Terçam uma outra contenda...
 
 
Mas o campo dessa luta
Que me enche de esperança
É o campo em que as almas dos moinhos de ventos
Tombam sob o peso do medo
(Não do arrependimento)
Pois não somente temem Hades
Como suspeitam
De que há muita luta para lutar
Porque o ciclo é longo e contínuo
Do pó ao pó
De vir-a-ser ao não-ser
Daqueles que me fizeram ser
Aos que hão de ser de mim.

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