quarta-feira, 2 de maio de 2012

Moço tenho doze anos; BH, 0200901999.

Moço tenho doze anos,
Minha irmã tem quatorze
E a outra menina quinze;
E não comi nada hoje ainda,
Me come e me dá um pedaço de pão;
Se o senhor não me quiseres,
Come a minha irmã,
Ou escolhes a outra menina;
Nós somos aqui do Brasil,
Do estado de Minas Gerais;
Somos vítimas do neoliberalismo,
Sobras da burguesia,
Restos da elite;
De manhã passamos fome,
À tarde e à noite também;
Nossos pais não têm dinheiro,
Não podemos comprar roupas,
E nem ir aos shoppings;
Não podemos passear,
E então nos entregamos,
Por cinco reais, um pedaço de pão;
Moço, nós somos só crianças,
Porém a sociedade injusta,
Já nos transformou em mulheres,
O capitalismo já nos destruiu,
Não temos perspectiva de vida,
Somos o futuro do Brasil
E não temos futuro;
Temos só a herança maldita,
Das doenças e dos vícios,
Da prostituição infantil,
Da morte precoce que nos espera;
Nem chorar iguais crianças, sabemos,
E nem fazemos ninguém chorar por nós.

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