quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Meus camaradas companheiros; BH, 0300702014.

Meus camaradas companheiros,
Amigos de agruras, incongruências
E crueldades, pois, todos somos
Cruéis, crudelíssimos e não há como
Negar; e gostamos de crueldade e
Quanto mais bisonha, quanto mais
Bizarra, mais excitamos os nossos
Instintos mórbidos; meus irmãos na
Fé, na fé da maldade, de não fazer
O bem e de não ser bom; na fé que
O amor é simplório, que o amor é
Piegas e de que não vale a pena,
Aumentar o tamanho da alma,
Deixa a pobrezinha lá, no rés-do-
Chão; meus correligionários, meus
Confrades da confraria dos
Espíritos penados, nós, os que
Enriquecemos os que pregam a
Nossa ida para o céu, pobres;
Nós, que não dividimos o pão, a
Água, quanto mais o nosso vinho;
Alvíssaras, minhas matilhas de
Lobos das estepes, todos famintos,
Sedentos de sangue; hienas
Trituradoras de ossos, somos os
Nossos orgulhos, com as nossas
Mãos nodosas, nossas peles oleosas;
Somos a nossa soberba e nos
Ufanamos de nos matar uns aos
Outros; vangloriamos de nos
Odiarmos, é mais fácil, mais útil e
Não precisamos de nos esconder;
Agora, não deveríamos chorar na
Presença da morte, na presença
De estranhos, chorar e quem
Saberá fazer isso?

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