quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O desenhista desta cena; BH, 0130602001.

O desenhista desta cena,
É a pessoa que desenha esta sentença;
E que sabe projetar esta frase,
Formar este período;
E dar relevo a esta ideia
E delinear o pensamento;
E representar assim a alma,
E desenhar assim o espírito;
E é o que já aprendeu a muito,
O desenguiçar do ser;
E já sabe tirar o enguiço da máquina
E fazer funcionar 
E desenredar o sistema;
Como tirar manchas de gorduras da pele
E tirar a gordura do corpo,
Ao desengordurar a carne;
E quanto ao desconjuntar das articulações,
O sair dos gonzos os nervos,
O desunir-se dos ossos do esqueleto,
Este saberá impedir total desengonçar;
E não será o que ginga ao andar,
Não será o que tem as articulações lassas
E vivem sem aprumo,
Com o ente desconjuntado
E o cérebro desengonçado;
Ninguém quer desarmar-se
E também despojar-se de si mesmo;
Todo mundo só quer é disparar arma de fogo,
Todo mundo só quer é desfechar porrada na cara um do outro;
Ninguém quer desengatilhar-se
E nem desatrelar-se dos animais da carruagem do mal;
Soltar o engate da corrente
E desaperrar sem o dom da violência;
Até quando o mundo viverá sem desengatar as marchas
Aceleradas dos celerados?
Até quando a humanidade viverá sem desengasgar-se
Do grito de basta pelo fim da infelicidade?
É hora de tirar o engasgo
E arrancar o peso da língua;
Basta de desilusão,
Basta de desengano
E de desenganar:
Está aí a eutanásia,
É para tirar o engano;
E de adquirir formal certeza,
É hora de desiludir-se.

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